Hoje, sem desconsiderar toda a importância das descobertas feitas pelos cientistas, vivemos em um mundo recortado por áreas e disciplinas, separado por especialistas, numa abordagem cartesiana e que influenciou nossa visão de mundo, vendo-nos como centro do universo sem nenhuma correlação com o Todo. Sem essa consciência do Todo, não percebemos a relação entre as coisas e as nossas atitudes. A nossa busca real é ir além da dualidade e de tudo que limita e que fragmenta. A meta não se destina a reduzir o sofrimento a dimensões normais, mas transcender o sofrimento.
Entrar em contato com os sentimentos de alguém é de pouco valor, se tais sentimentos sombrios não são transformados, resgatando assim a possibilidade de criarmos com consciência a nossa ação no mundo, através das escolhas, não mais como vítimas, mas como agentes de transformação.
Uma amiga me enviou hoje uma entrevista com o Dr. Jorge Carvajal, médico cirurgião da Universidade de Andaluzia, Espanha, pioneiro da Medicina Bioenergética que coloco abaixo.
É interessante uma visão de alguém que está totalmente envolvido com a ciência ocidental e que nem por isso nega que somos constituídos de algo mais.
“A alma não pode adoecer, porque é o que há de perfeito em ti, a alma evolui, aprende... Quando nossa personalidade resiste aos desígnios da alma, adoecemos.
70 por cento das enfermidades do ser humano vêm do campo da consciência emocional. As doenças muitas vezes procedem de emoções não processadas, não expressadas, reprimidas. O medo, que é a ausência de amor, é a grande enfermidade... Quando o temor se congela, afeta os rins, as glândulas suprarrenais, os ossos, a energia vital, e pode converter-se em pânico... Tens que cuidar de ti. Tens teus limites, não vás além. Tens que reconhecer quais são os teus limites e superá-los, pois, se não os reconheceres, vais destruir teu corpo.
A raiva é santa, é sagrada, é uma emoção positiva, porque te leva à auto-afirmação, à busca do teu território, a defender o que é teu, o que é justo. Porém, quando a raiva se torna irritabilidade, agressividade, ressentimento, ódio, ela se volta contra ti e afeta o fígado, a digestão, o sistema imunológico.
A alegria é a mais bela das emoções, porque é a emoção da inocência, do coração e é a mais curativa de todas, porque não é contrária a nenhuma outra. Um pouquinho de tristeza com alegria escreve poemas. A alegria com medo leva-nos a contextualizar o medo e a não lhe darmos tanta importância.
A alegria suaviza todas as outras emoções, porque nos permite processá-las a partir da inocência. A alegria põe as outras emoções em contato com o coração e dá-lhes um sentido ascendente. Canaliza-as para que cheguem ao mundo da mente.
A tristeza é um sentimento que pode te levar à depressão quando te deixas envolver por ela e não a expressas, porém ela também pode te ajudar. A tristeza te leva a contatares contigo mesmo e a restaurares o controle interno. Todas as emoções negativas têm seu próprio aspecto positivo. Tornamo-las negativas quando as reprimimos.
...Quando se aceitam (as emoções negativas), elas fluem, e já não se estancam e podem se transmutar. Temos de as canalizar para que cheguem à cabeça a partir do coração. Realmente as emoções básica são o amor e o medo (que é ausência de amor), de modo que tudo que existe é amor, por excesso ou deficiência. Construtivo ou destrutivo. Porque também existe o amor que se aferra, o amor que superprotege, o amor tóxico, destrutivo.
Como prevenir a enfermidade?
Somos criadores, portanto creio que a melhor forma é criarmos saúde. E, se criarmos saúde, não teremos que prevenir nem combater a enfermidade, porque seremos saúde.
E se aparecer a doença?
Teremos, pois, de aceitá-la, porque somos humanos. Krishnamurti também adoeceu de um câncer de pâncreas e ele não era alguém que levasse uma vida desregrada. Muita gente espiritualmente muito valiosa já adoeceu. Devemos explicar isso para aqueles que creem que adoecer é fracassar.
O fracasso e o êxito são dois mestres e nada mais. E, quando tu és o aprendiz, tens que aceitar e incorporar a lição da enfermidade em tua vida... Cada vez mais as pessoas sofrem de ansiedade. A ansiedade é um sentimento de vazio, que às vezes se torna um oco no estômago, uma sensação de falta de ar. É um vazio existencial que surge quando buscamos fora em vez de buscarmos dentro. Surge quando buscamos nos acontecimentos externos, quando buscamos muleta, apoios externos, quando não temos a solidez da busca interior. Se não aceitarmos a solidão e não nos tornarmos nossa própria companhia, sentiremos esse vazio e tentaremos preenchê-lo com coisas e posses. Porém, como não pode ser preenchido de coisas, cada vez mais o vazio aumenta.
Então, o que podemos fazer para nos libertarmos dessa angústia?
Não podemos fazer passar a angústia comendo chocolate ou com mais calorias, ou buscando um príncipe fora. Só passa a angústia quando entras em teu interior, te aceitas como és e te reconcilias contigo mesmo. A angústia vem de que não somos o que queremos ser, muito menos o que somos, de modo que ficamos no "deveria ser", e não somos nem uma coisa nem outra. O stress é outro dos males de nossa época. O stress vem da competitividade, de que quero ser perfeito, quero ser melhor, quero ter uma aparência que não é minha, quero imitar. E realmente só podes competir quando decides ser um competidor de ti mesmo, ou seja, quando queres ser único, original, autêntico e não uma fotocópia de ninguém. O stress destrutivo prejudica o sistema imunológico. Porém, um bom stress é uma maravilha, porque te permite estar alerta e desperto nas crises e poder aproveitá-las como oportunidades para emergir a um novo nível de consciência.
O que nos recomendaria para nos sentirmos melhor com nós mesmos?
A solidão. Estar consigo mesmo todos os dias é maravilhoso. Passar 20 minutos consigo mesmo é o começo da meditação, é estender uma ponte para a verdadeira saúde, é aceder o altar interior, o ser interior. Minha recomendação é que a gente ponha o relógio para despertar 20 minutos antes, para não tomar o tempo de nossas ocupações. Se dedicares, não o tempo que te sobra, mas esses primeiros minutos da manhã, quando estás rejuvenescido e descansado, para meditar, essa pausa vai te recarregar, porque na pausa habita o potencial da alma.
O que é para você a felicidade?
É a essência da vida. É o próprio sentido da vida. Estamos aqui para sermos felizes, não para outra coisa. Porém, felicidade não é prazer, é integridade. Quando todos os sentidos se consagram ao ser, podemos ser felizes. Somos felizes quando cremos em nós mesmos, quando confiamos em nós, quando nos empenhamos transpessoalmente a um nível que transcende o pequeno eu ou o pequeno ego. Somos felizes quando temos um sentido que vai mais além da vida cotidiana, quando não adiamos a vida, quando não nos alienamos de nós mesmos, quando estamos em paz e a salvo com a vida e com nossa consciência. Viver o Presente.
Deixamos ir-se o passado e não hipotecamos a vida às expectativas do futuro quando nos ancoramos no ser e não no ter, ou a algo ou alguém fora. Eu digo que a felicidade tem a ver com a realização, e esta com a capacidade de habitarmos a realidade. E viver em realidade é sairmos do mundo da confusão. Temos três ilusões enormes que nos confundem:
Primeiro: cremos que somos um corpo e não uma alma, quando o corpo é o instrumento da vida e se acaba com a morte.
Segundo: cremos que o sentido da vida é o prazer, porém com mais prazer não há mais felicidade, senão mais dependência... Prazer e felicidade não são o mesmo. Há que se consagrar o prazer à vida e não a vida ao prazer.
Terceiro: ilusão é o poder; desejamos o poder infinito de viver no mundo.. E do que realmente necessitamos para viver? Será de amor, por acaso?
O amor, tão trazido e tão levado, e tão caluniado, é uma força renovadora. O amor é magnífico porque cria coesão. No amor tudo está vivo, como um rio que se renova a si mesmo. No amor a gente sempre pode renovar-se, porque ordena tudo. No amor não há usurpação, não há transferência, não há medo, não há ressentimento, porque quando tu te ordenas, porque vives o amor, cada coisa ocupa o seu lugar, e então se restaura a harmonia. Agora, pela perspectiva humana, nós o assimilamos com a fraqueza, porém o amor não é fraco. Enfraquece-nos quando entendemos que alguém a quem amamos não nos ama. Há uma grande confusão na nossa cultura. Cremos que sofremos por amor, porém não é por amor, é por paixão, que é uma variação do apego. O que habitualmente chamamos de amor é uma droga. Tal qual se depende da cocaína, da maconha ou da morfina, também se depende da paixão. É uma muleta para apoiar-se, em vez de levar alguém no meu coração para libertá-lo e libertar-me. O verdadeiro amor tem uma essência fundamental que é a liberdade, e sempre conduz à liberdade. Mas às vezes nos sentimos atados a um amor. Se o amor conduz à dependência é Eros. Eros é um fósforo, e quando o acendes ele se consome rapidamente em dois minutos e já te queima o dedo. Há amores que são assim, pura chispa. Embora essa chispa possa servir para acender a lenha do verdadeiro amor. Quando a lenha está acesa, produz fogo. Esse é o amor impessoal, que produz luz e calor.
Pode nos dar algum conselho para alcançarmos o amor verdadeiro?
Somente a verdade. Confia na verdade; não tens que ser como a princesa dos sonhos do outro, não tens que ser nem mais nem menos do que és. Tens um direito sagrado, que é o direito de errar; tens outro, que é o direito de perdoar, porque o erro é teu mestre. Ama-te, sê sincero contigo mesmo e leva-te em consideração. Se tu não te queres, não vais encontrar ninguém que possa te querer. Amor produz amor. Se te amas, vais encontrar amor. Se não, vazio. Porém nunca busques migalhas, isso é indigno de ti. A chave então é amar-se a si mesmo. E ao próximo como a ti mesmo. Se não te amas a ti, não amas a Deus, nem a teu filho, porque estás apenas te apegando, estás condicionando o outro. Aceita-te como és; não podemos transformar o que não aceitamos, e a vida é uma corrente permanente de transformações.Prof. Dr. Maurício Paes Landim
Professor Adjunto de Cardiologia UFPI/UESPI
Mestre em Medicina
Doutor em Cardiologia
Dentro de mim existe um lugar onde vivo inteiramente só
e é lá que se renovam as nascentes que nunca secam.
P.Buch
e é lá que se renovam as nascentes que nunca secam.
P.Buch
24 de março de 2012
4 de março de 2012
Atitude
Ontem saí do curso que estou fazendo com a professora de Vedanta, Glória Ariera, com muita coisa a pensar e a refletir, tamanha a capacidade de clareza que ela tem ao discorrer sobre e os ensinamentos dos vedas sobre a vida real. Confesso que me surpreendi com a possibilidade de poder beber de uma fonte tão antiga ensinamentos que são tão presentes em nossa vida hoje.
Fiquei fazendo um paralelo com tudo que tenho aprendido.
Quando começamos a fazer um trabalho de Coaching, por exemplo, falamos em meta, falamos em competência, falamos sobre nossos valores e nossa missão. Pesquisamos nossas crenças e tentamos ser congruentes em todas as nossas facetas da vida. Ao entendermos como funcionamos, colocamos em prática essa nova maneira de pensar e observamos como isso vai acontecendo.
Se só entendermos como funcionamos e não colocarmos em prática não temos ganho algum, será um ato vazio. Se agimos sem ter a atitude da mudança também não há ganho algum, continuaremos fazendo a mesma coisa e teremos, portanto, as mesmas respostas da vida. Não adianta reclamar que a vida da gente não muda se eu não mudo minha atitude. Se tivermos a atitude e não manifestá-la em ato, também não há nada a ganhar. É inútil.
O significado das experiências que temos depende do entendimento que temos sobre nós mesmos, sobre o outro e sobre como eu me relaciono comigo e com o mundo. A mesma experiência pra mim pode ser dolorosa, carregada de sofrimento ou pode ser carregada de abertura, de expansão. Isso depende da nossa escolha.
Quando entramos nessa aventura do autoconhecimento, nos observamos e nos vemos, muitas vezes, repetindo os mesmos padrões. Tudo bem, esse é o início do processo. Precisamos de um tempo para, após o entendimento, nutrir o significado da ação.
Quando nos conhecemos melhor podemos também ter melhores escolhas. Claro que sempre temos como objetivo a satisfação, satisfazer nossos desejos, nossos anseios. Se tudo à nossa volta funciona como eu acho que deve funcionar, estão eu fico satisfeita. Mas nem sempre isso é possível. E se a minha satisfação destrói o outro, não podemos ir por esse caminho. E por quê? Porque sabemos o que é certo, porque temos a nós mesmos como padrão, ou seja, não faço ao outro o que eu não gostaria que fizesse comigo.
Maturidade emocional é quando não fazemos o que não é certo, é quando temos a capacidade de escolher não satisfazer nossos desejos em primeiro lugar, mas fazer o que é adequado. Do contrário ficaremos emocionalmente mimados, infantis. Muitas vezes enfrentamos situações onde há algo que devemos fazer, mas isso não bate com os meus valores mais internos. Há então um conflito. Cria-se uma divisão e a mente não se aprofunda, porque o contato com você mesmo é doloroso, porque neste contato você tem que lidar com a sua incoerência. Se você for congruente, a mente se tranquiliza e você fica em paz com seus valores.
O mundo não é só do jeito que a gente quer. Então como busco a satisfação? A minha felicidade não pode depender de eu organizar o mundo à minha visão, de mudar as pessoas e situações. Deve haver outra maneira de ser feliz. A única maneira eficaz é olhar o mundo por outra perspectiva. A solução que, até então, eu buscava fora, já não me serve mais. Ela precisa ser vasculhada dentro de mim mesma e isso exige um espaço na nossa mente para poder pensar diferente e esse espaço só vai existir se tivermos paz interna. Esse sim é o nosso grande e verdadeiro objetivo a ser alcançado. Para isso temos que trabalhar a auto-observação em todas as áreas de nossa vida.
Isso foi um pouco do que ouvi no curso e fiquei aqui pensando que nossa vida é algo valioso demais para ficarmos repetindo as mesmas coisas todos os dias, usando as mesmas técnicas de comportamento, as mesmas crenças limitantes que não nos fazem sair do lugar. Só posso saber disso se me auto-observo e se eu tenho a disponibilidade interna de mudar dentro de mim e ainda me colocar no mundo como uma pessoa mais refinada, mas íntegra, mais honesta, mais verdadeira.
Se, ao acabar meu dia, me olho e vejo que repeti ações inadequadas, que caí nas mesmas armadilhas emocionais, então eu tenho a escolha de mudar e tomar uma atitude que me transforme naquilo que realmente eu sou para contribuir com minha família, meus amigos, companheiros de trabalho, a humanidade e o universo. De outra maneira, seguiremos nossa vida sem alcançarmos a nossa meta maior.
26 de fevereiro de 2012
Cozinhar
Às vezes eu me aventuro na cozinha e se não surgem grandes pratos e se não me fixo no resultado, confesso que é uma atividade de muito relaxamento. A expectativa do resultado gera ansiedade e nos faz ficar fora do presente, no momento da execução de todo processo. As cores me deliciam, bem como os perfumes, texturas de todos os ingredientes. Lembro da minha admiração e encantamento quando minha mãe pediu para eu cortar um mamão pela metade e percebi alí o desenho de uma estrela! Lembro de Maria Preta quando vejo as “garrafinhas” cheias de água dentro das mixiricas e não me canso de ver aquele vermelho da beterraba e a cor da abóbora e a delicadeza das flores de brócolis. Como pode haver sabores tão diferentes em folhas verdes vindo do mesmo quintal generoso, onde minha mãe plantava e eu regava toda tarde? Ainda ouço o som do feijão na peneira de minha mãe, e o cheiro do cural que vinha do som do debulhar do milho. Eram sons que, por harmonizarem com nosso som interno, nos relaxavam.A planta com toda sua variedade é o ancestral da humanidade mais antigo e nelas provavelmente estão contidas todas as memórias do universo.
Claro que, hoje, parte do processo de cozinhar já vem pronta, mas mesmo assim, brinco na cozinha com essas cores, som, texturas contidas no alimento que dão vida a cada uma de nossas células.
Somos ligados a todos os seres humanos através dessa alimentação que vem da mesma origem, com as mesmas substâncias.
Comer é um ato divino e alquímico. Trazemos para nossas células todo nutriente que precisamos para viver e, nesse sentido, também pode ser um ato de cura, se tivermos consciência do que comemos, de quanto comemos e do por que comemos.
No livro O Caminho da prática” a autora cita T. Upanishad que diz:
“A essência de todas as coisas aqui é a Terra.
A essência da Terra é a água.
A essência da água são as plantas.
A essência das plantas é uma pessoa.”
Diz autora: “Vamos levar este texto adiante e perguntar a nós mesmos: o que é a essência de uma pessoa? Eu acho que é aquela natureza fundamental que pertence exclusivamente a nós, e que nos conecta com o universo. Estamos todos em uma busca de consciência, que é encontrada quando se cultiva a atenção – um conhecimento interno que depende totalmente de uma relação harmoniosa com a natureza. A prática alimentar restaura nossa memória cognitiva e nossa capacidade de nos curarmos das doenças físicas e das feridas emocionais. Abra seu coração para a sabedoria da Mãe Natureza, banqueteie-se em sua mesa, e você nunca passará fome.”
Hoje fiz um Bolo Indiano e deixo aqui a receita para brincarmos em nossas cozinhas.
½ kg açúcar mascavo
1 xíc. (chá) água
1 xic. (chá) leite
½ xíc. (chá) margarina
½ colher (sopa) canela em pó
½ colher (chá) noz moscada
½ colher (chá gengibre em pó
Pitada de sal
1 colher (sopa) fermento
2 colheres (sopa) farinha de linhaça
Farinha de trigo branca
1 prato fundo de nozes, maça, damasco, uva passas, linhaça, ameixa e castanhas
Coloque o açúcar mascavo numa panela, adicione água e leite e leve ao fogo até ferver. Desligue o fogo e passe a mistura para outro recipiente (peneirando) e adicione a margarina. Adicione as especiarias, farinho de linhaça e trigo para dar consistência. Misture bem e coloque o fermento. Finalize acrescentando as frutas secas e leve ao forma (45min).
10 de fevereiro de 2012
Jardim Botânico
“Sensibilizar pessoas para a importância da conservação das plantas e para o uso parcimonioso dos recursos ambientais”.
Essa é a missão do Jardim Botânico de Nova Odessa.
Uma grande surpresa para mim. Ao entrar nesse jardim, meu coração se abriu a essa paisagem deslumbrante, cheia de canteiros de flores, ervas, árvores, vitórias-régias, tudo identificado com o nome científico e sua origem.
Gostosa manhã de domingo, quando meus olhos se encheram de uma beleza que há muito estavam precisando.
8 de fevereiro de 2012
Inutilidades
Para mim parece que o ano está começando agora. E nada melhor do que fazer aquelas limpezas de gavetas. Só que desta vez estou fazendo a limpeza das gavetas internas.
Depois de ter vivido esse período de 93 dias de coma de meu pai e sua morte serena na semana passada, fico aqui sentada no terraço do meu apartamento pensando em quantas inutilidades nós nos apropriamos. Como enchemos nossas gavetas internas com coisas que não nos servem para nada. Quer coisa mais inútil do que a mágoa? Sentir mágoa ou ressentimento não serve pra nada e nem pra ninguém. Julgar o outro e a si mesmo, que serventia tem isso? Fazer fofoca das pessoas que estão à nossa volta traz algum benefício? A culpa é outra coisa nas listas das inutilidades. E a lista pode ser grande.
Ao me deparar com esse evento tão forte neste momento de minha vida, entrei num mundo que desconhecia, um mundo cheio de hospitais, remédios, médicos, enfermeiras e pacientes em condições diferentes e ao mesmo tempo iguais. Mas também, neste mundo tão triste, tive contato com verdadeiros anjos no papel de enfermeiros, sem contar todas as pessoas que fui encontrando nos corredores do hospital e que também vivenciavam experiências profundas e que ainda eram capazes de aquecer meu coração com uma palavra, com uma história. A profundidade destes gestos nos faz expandir e vivenciar então o que é realmente importante e nos faz lembrar por que estamos aqui nessa existência. E, portanto, tudo aquilo que me faz esquecer isso é pura inutilidade.
Quando deparamos com a vida e a morte numa linha divisória tão tênue, percebemos que a vida é muito mais do que todas essas inutilidades. Desapegar delas é o nosso grande trabalho para que possamos nos expandir para o que é realmente real, que é a consciência espiritual que faz com que a gente se perceba não como se fôssemos separados de tudo. A vida está sempre em transformação. Tudo é impermanente. Assim, por sermos parte disso tudo, também estamos em transformação. Se não nos desfizermos dessas inutilidades, as nossas gavetas ficarão abarrotadas de coisas que não precisamos mais e aí, não abrimos espaço para coisas novas. E tudo que não muda fica estagnado. Um ensinamento do Yoga é que o mundo com suas riquezas e pobrezas, alegrias e tristezas, bondades e maldades, se for visto realmente como ele é, não mais irá nos perturbar, pois tudo é transitório e passageiro.
E o desencarne de meu pai me fez vivenciar isso com muita profundidade. Já falei dele algumas vezes aqui nos posts: 90 anos - 05/03/2011, João - 08/09/2011, Meu pai - 07/08/2010. Ele viveu uma vida cheia de integridade, de honestidade, de dignidade, de respeito ao próximo e sempre estava de bom humor. E essa lembrança é o que traz paz para mim e minha família. Qualquer outra coisa que nos tire essa paz é inutilidade.
Registro aqui meu profundo agradecimento à vida por me ter dado oportunidade de ter uma pessoa como essa ao meu lado no papel de meu pai. E essa experiência me deixou a certeza de que estamos unidos pela nossa eternidade.
30 de janeiro de 2012
Presente
"Bom dia" é o que falamos quase que automaticamente quando encontramos as pessoas. Esse video nos leva a refletir sobre o que é um "bom dia", que presentes recebemos durante o dia, qual a nossa atenção e gratidão para tudo que nos acontece.
Pode ser uma boa dica para esse início de ano tanto ao fazermos promessas, quanto ao colocarmos metas para que sejam cumpridas até o final do ano. Talvez essa meta possa ir se concretizando todos os dias, todas as horas, todos os minutos, em todas nossas ações.
Ficar atento a todas as coisas que vão passando por nós, para nós e dentro de nós é um modo para se chegar a qualquer meta que estabelecermos.
24 de janeiro de 2012
PERMANÊNCIA
Quando penso em “permanência”, num primeiro momento me vem a ideia de algo constante, que não muda, que permanece do mesmo modo por um tempo maior.
Outro dia, na prática de Yoga, o professor nos conduziu a uma postura que não tenho tanta dificuldade em fazer, mas, nesse dia, tive a sensação de que o professor não ia nunca mais passar para outra posição, parecia que estava ali por 15 minutos, o que não era verdade. Sentia meus músculos arderem. Tentava respirar e focar nessa sensação, mas minha mente saltava pensando, “tá demorando muito, talvez tenha que desmontar a posição antes do comando do professor”. Não conseguia relaxar na posição e não entendia o motivo, pois tinha feito esta postura antes com mais facilidade. Uma certa irritabilidade apareceu mesmo que eu fizesse respirações. E ficou aí esse conteúdo para eu me pesquisar, observar e aprender.
Claro que na minha auto-observação juntei essa experiência ao que estou vivendo no momento: meu pai em coma há quase três meses no hospital. A irritabilidade no exercício da permanência estava então ligada à minha necessidade de vivenciar essa permanência dolorosa da minha vida sem que nada pudesse fazer para mudá-la.
Permanecer numa situação em que você nada pode fazer pode te levar para um único lugar: para dentro de você mesma. E de lá podem surgir muitos conteúdos que você tinha certeza que já estavam assimilados, mas restavam alguns resquícios esperando o momento de serem integrados. Mas é também, lá dentro de você, que estão as ferramentas para elaborar esses novos (ou velhos)conteúdos. É lá que temos a possibilidade de ressignificar nossas crenças. Confesso que nesse período me desfiz de algumas crenças vazias, validei outras e adquiri novas. A flexibilidade interna precisou ser acionada, não sem alguma dor.
Ficar na permanência aqui pra mim está simbolizando reflexão, observação de meus sentimentos, paciência, não julgamento de mim mesma e de pessoas à minha volta, perdoar a mim mesma e me equilibrar nessa postura tão diferente que estou. Respirar é a chave. Meditar é chave. “Entregar, confiar, aceitar e agradecer” é a chave. O trabalho é profundo e exige uma verdade e uma concentração interna.
Uma das condições para se fazer uma postura no Yoga é a permanência que nos coloca física e mentalmente na disposição para que a postura aconteça. Os músculos precisam estar passivos. Claro que nessas posturas nossos músculos são colocados numa situação diferente das situações do nosso dia a dia, onde eles são encurtados.
No Yoga eles se esticam, relaxam, abrindo mais espaços, determinando nosso grau de flexibilidade. Quando estamos perto de seus limites, eles se contraem como uma forma de se proteger e nesse momento podemos permitir que eles se relaxem se pusermos nossa intenção nisso.
A cada expiração, podemos alongar um pouco mais. Assim podemos ir um pouco mais além sem violência e sem nos machucarmos.
14 de janeiro de 2012
Aniversário
19 de janeiro sempre foi um dia importante para mim. É quando celebro o dia que respirei pela primeira vez nessa existência, meu primeiro ato, minha primeira marca nesta história que agora chega aos 55 anos.
E a sensação é de que estou começando a segunda parte de minha vida, não como um declínio, mas como uma completude. O que vou fazer nessa outra fase? Onde vou me expressar? Que escolhas vou tomar para viver todos os eventos que vão aparecer? Como vou escolher viver os limites? São várias perguntas que surgem, como as que apareceram lá na adolescência, com a diferença de não ter mais ansiedade, de ter adquirido uma bagagem que me supre em todas as situações e, por isso, tenho agora uma sensação de liberdade extremamente agradável. Ufa! Como diz o professor Hermógenes, “sem as besteiras da juventude”.
Então hoje celebro esse dia perdoando... a mim mesma e as minhas experiências passadas, presentes e futuras.
Celebro desejando que toda minha ignorância seja retirada à medida que eu aprenda a acessar a verdade que já está em mim.
Celebro desejando que eu aceite as pessoas com suas diferenças olhando para o melhor delas mesmas.
Celebro a liberdade que tenho de fazer escolhas.
Celebro, aceito e agradeço todas as experiências que tive, tenho e terei entendendo que sou uma observadora de todas elas.
Celebro agradecendo aos meus pais que me deram esse corpo e todas as possibilidades para eu ser uma pessoa melhor.
Compartilho com vocês que carinhosamente me acompanham nesse blog. (20 min)
25 de dezembro de 2011
FELIZ 2012
“Que todos os seres sejam felizes”
esse é o meu mais profundo desejo.
E o meu mais profundo sentimento é o de agradecimento à vida que me proporcionou tantas experiências diferentes esse ano, como por exemplo o acompanhamento de meu pai no hospital há quase 2 meses, onde pude ter contato com tantos novos sentimentos e aprendizados, tantas pessoas que vivem mundos e histórias tão diferentes da minha e que por algum motivo a vida me colocou em contato com elas. E o carinho que recebi de todos os meus alunos, meus amigos e de pessoas que nem conhecia, e do meu companheiro tão atencioso, o Edmilson, isso me tornou uma pessoa melhor, me despertando para um novo padrão de consciência e de amor.
Que o video abaixo possa nos inspirar para que possamos respirar e relaxar nesse movimento.
Namastê
Namastê
17 de dezembro de 2011
FELIZ NATAL !
Adoro o mês de dezembro. A temperatura é agradável. A chuva chove limpando o ar e o brilho emerge nas folhas verdes das árvores e os pássaros cantam e dançam celebrando mais um Natal.
E para celebrar esse Natal, desejamos tantas coisas. E eu desejo a cada um de vocês que me seguiram pacientemente no blog com tanto carinho que acessem o melhor de vocês mesmos, que vocês queiram ir um pouco mais além de onde estão, que busquem seus potenciais, que sejam curiosos e queiram aprender ainda mais, que não esqueçam de colocar entusiasmo em todas as áreas de suas vidas (profissional, familiar, intelectual, financeira, física, emocional e espiritual). Que independente dos rituais sociais que fizerem nesse Natal, possam despertar em seus corações o amor que inunda nossas células e que se exala para o mundo.
Deixo a seguir um poema de Márcio Assunção, que já coloquei neste blog, mas que tanto bem me faz ao ler novamente.
Hoje quero cantar para a Vida... A música da gratidão,
sabendo que tenho muito mais para agradecer do que para pedir,
por tudo que veio antes de mim, por tudo que virá depois de mim.
gratidão pelos que ajudaram, ajudam ou ajudarão,
pois essas pessoas me ensinam a cada dia que estou na vida para servir.
Gratidão por todos os que se apresentam como pedras no caminho,
pois me lembram que algumas vezes preciso ser podado para crescer forte.
Hoje quero cantar para a Vida... A música da devoção,
sabendo que tenho muito mais a oferecer do que para pedir,
para a fé que está no coração de cada Ser,
para Deus que está em todas as manifestações de verdadeira fé.
Quero fazer um altar dentro de mim
E reverenciar meus pais, meus antepassados e meus mestres,
Para que eu possa seguir em frente com humildade e honra.
Hoje quero cantar para a Vida... A música da meditação,
Sabendo que tenho muito mais que refletir do que pedir.
Quero cantar uma canção sem som, sem métrica, sem palavras.
Quero cantar o silêncio interior, Para escutar a voz da Consciência
que abaixa o volume do ego e aumenta o volume do Ser.
Hoje quero cantar para a vida... A música do coração,
Sabendo que tenho muito mais a cumprir do que para pedir.
Quero lembrar de minha primeira inspiração nesta existência,
Para não esquecer o que estou fazendo aqui.
Quero na última expiração, Ter a certeza do dever cumprido,
do dharma mantido E do caminho seguido.
Hoje quero cantar para o mundo...
E que outras pessoas ao ouvirem essa canção, Possam cantar juntas comigo
A música da transformação.
20 de novembro de 2011
Roda da Vida
Nessas últimas semanas tenho experimentado intensos movimentos internos e deparado com sentimentos novos, constatando minha própria complexibilidade e subjetividade e refazendo ou validando minhas propostas existenciais. Utilizei todos os recursos internos que venho construindo desde que nasci, os quais são meu suporte, meu norte. Na verdade, esses recursos estão a todo momento dentro de nós, o que fazemos é deixá-los conscientes e disponíveis. Como num mosaico, cada experiência que temos no nosso dia-a-dia nos desperta e nossos recursos internos vão se desenvolvendo e nos desenvolvendo.
Mas, afinal, o que são esses recursos internos, como fazer para despertá-los, para podermos lidar com os eventos da vida de forma mais construtiva para nós mesmos?
Há várias esferas que compõem nossa existência. Há um sistema de auto avaliação que se chama Roda da Vida que é bastante utilizado, principalmente no trabalho de Coaching. Nesse sistema, há oito divisões e cada uma delas representa uma esfera de nossa vida que é fundamental para conquistarmos o equilíbrio pessoal. A ideia é que façamos reflexões sobre o quanto colocamos de atenção em cada parte de nossa vida. São elas: lazer, intelecto, saúde, amor, vida financeira, amigos e família, trabalho e carreira e espiritualidade. A ideia então é perceber o grau de satisfação em cada área e traçar planos para promover mudanças.
Para mim, uso a palavra espiritualidade para designar o conjunto dos recursos internos que construímos e vejo essa área muito importante para que consigamos desenvolver todas as outras, sem a qual seria muito difícil atingir uma satisfação duradoura. Espiritualidade não tem nada a ver com a religião que escolhemos ter ou não, não tem a ver com códigos feitos de fora para dentro e nem com padrões alienantes que construímos. Tem a ver com a paz interior, com a coerência de valores, com a força interna que temos para suportar as dificuldades sem se desequilibrar.
Na minha vida particular, muitas coisas me ajudaram a desenvolver essa esfera. Todas as religiões que estudei, todos os cursos que fiz, todos os meus questionamentos, todos os amigos que tive, a estrutura de minha família, meus professores das escolas onde estudei, todos os relacionamentos que tive, todo amor que senti, toda desilusão, toda frustração, toda alegria que tive, toda dor que doeu, tudo que conquistei com meu trabalho, tudo aquilo que não consegui ter, todas as viagens que fiz, todas as que não fiz, todo vazio que senti e que impulsionaram a buscar mais e mais o sentido de minha existência, o Yoga, a respiração, a bronquite quando era criança, todas pessoas chaves que conheci e que me inspiraram como Chico Xavier, Professor Hermógenes, Sara Marriot, meu pai e também aquelas pessoas que “se apresentam como pedras no caminho, pois me lembram que algumas vezes preciso ser podado para crescer forte.” (Márcio Assunção).
A lista aqui poderia ser enorme, pois não há uma só experiência que não tenha sido uma contribuição para que eu acordasse para meus recursos internos.
Sem isso como poderia vivenciar com serenidade o meu pai aos 90 anos em coma na UTI? Onde eu buscaria as respostas, que nessa hora são tantas, no meio de uma dor profunda que nunca tinha experimentado? Não, não é sofrimento, eu optei por viver essa experiência consciente de minha dor, mas serena, dando oportunidade para que mais aprendizado chegue até mim, sem julgamento, sem ansiedade, sem dúvidas de que todos os recursos que já tenho dentro de mim me apoiam nesse momento. O carinho de todas as pessoas também tem sido um bálsamo. Com certeza não sou mais a mesma Zezé de alguns dias atrás. Profundas transformações se organizam e se instalam em minhas células.
Somos muito mais do que esse corpo físico, somos esse movimento de expandir eternamente. O universo está presente em todos esses movimentos, em todas as situações e, portanto, tudo está certo. Tudo está perfeitamente certo.
Há várias esferas que compõem nossa existência. Há um sistema de auto avaliação que se chama Roda da Vida que é bastante utilizado, principalmente no trabalho de Coaching. Nesse sistema, há oito divisões e cada uma delas representa uma esfera de nossa vida que é fundamental para conquistarmos o equilíbrio pessoal. A ideia é que façamos reflexões sobre o quanto colocamos de atenção em cada parte de nossa vida. São elas: lazer, intelecto, saúde, amor, vida financeira, amigos e família, trabalho e carreira e espiritualidade. A ideia então é perceber o grau de satisfação em cada área e traçar planos para promover mudanças.
Para mim, uso a palavra espiritualidade para designar o conjunto dos recursos internos que construímos e vejo essa área muito importante para que consigamos desenvolver todas as outras, sem a qual seria muito difícil atingir uma satisfação duradoura. Espiritualidade não tem nada a ver com a religião que escolhemos ter ou não, não tem a ver com códigos feitos de fora para dentro e nem com padrões alienantes que construímos. Tem a ver com a paz interior, com a coerência de valores, com a força interna que temos para suportar as dificuldades sem se desequilibrar.
Na minha vida particular, muitas coisas me ajudaram a desenvolver essa esfera. Todas as religiões que estudei, todos os cursos que fiz, todos os meus questionamentos, todos os amigos que tive, a estrutura de minha família, meus professores das escolas onde estudei, todos os relacionamentos que tive, todo amor que senti, toda desilusão, toda frustração, toda alegria que tive, toda dor que doeu, tudo que conquistei com meu trabalho, tudo aquilo que não consegui ter, todas as viagens que fiz, todas as que não fiz, todo vazio que senti e que impulsionaram a buscar mais e mais o sentido de minha existência, o Yoga, a respiração, a bronquite quando era criança, todas pessoas chaves que conheci e que me inspiraram como Chico Xavier, Professor Hermógenes, Sara Marriot, meu pai e também aquelas pessoas que “se apresentam como pedras no caminho, pois me lembram que algumas vezes preciso ser podado para crescer forte.” (Márcio Assunção).
A lista aqui poderia ser enorme, pois não há uma só experiência que não tenha sido uma contribuição para que eu acordasse para meus recursos internos.
Sem isso como poderia vivenciar com serenidade o meu pai aos 90 anos em coma na UTI? Onde eu buscaria as respostas, que nessa hora são tantas, no meio de uma dor profunda que nunca tinha experimentado? Não, não é sofrimento, eu optei por viver essa experiência consciente de minha dor, mas serena, dando oportunidade para que mais aprendizado chegue até mim, sem julgamento, sem ansiedade, sem dúvidas de que todos os recursos que já tenho dentro de mim me apoiam nesse momento. O carinho de todas as pessoas também tem sido um bálsamo. Com certeza não sou mais a mesma Zezé de alguns dias atrás. Profundas transformações se organizam e se instalam em minhas células.
Somos muito mais do que esse corpo físico, somos esse movimento de expandir eternamente. O universo está presente em todos esses movimentos, em todas as situações e, portanto, tudo está certo. Tudo está perfeitamente certo.
"A força que guia as estrelas
também guia você"
Sri Sri Anandamurti
também guia você"
Sri Sri Anandamurti
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