"Ou você representa esse amor que trouxe das estrelas para esse mundo físico, ou você se tornou tão programado com medo de todas as coisas que as instituições colocaram em cima de você e tudo que tem em sua mente do medo, dos julgamentos das reclamações - esses barulhos são tão alto - que você não ouve mais a voz sutil do seu coração.
O despertar é um processo individual onde você começa a aprender de você ser um ser humano. Quando você vai um pouco mais profundamente e se conecta com seus sentimentos, aí você tem uma visão diferente da vida."
20 minutos - vale a pena ouvir Robert Happé falando sobre o despertar.
Dentro de mim existe um lugar onde vivo inteiramente só
e é lá que se renovam as nascentes que nunca secam.
P.Buch
e é lá que se renovam as nascentes que nunca secam.
P.Buch
27 de agosto de 2012
5 de agosto de 2012
Conhecimento
“Ação é aquilo que se faz para produzir um resultado
específico, é um instrumento para produzir algo novo. Se eu desejo aquietar
minha mente, eu posso ter uma ação para isso. Conhecimento não produz
nada novo, ele revela algo que já existe e eu não sabia, ele revela o eu
fundamental, o eu livre de limitações que ainda não reconheço em mim. A
meditação é um instrumento que nos ajuda a esse reconhecer-se”.
Foi assim que Gloria Ariera começou a plestra tão profunda neste sábado. E escrevo a seguir mais ou menos o que eu aprendi desse momento.
Usamos tanto a palavra autoconhecimento de uma forma tão
genérica que perdemos a profundidade de seu sentido. Todo workshop, todo curso
hoje em dia oferece o autoconhecimento. O que afinal é esse tal de
autoconhecimento? O que é que posso descobrir em mim que eu ainda não saiba? O
que é que eu faço para adquiri-lo? E quando eu o adquiro, eu adquiro o quê
exatamente? Podemos então usar a ação e escolher fazer algo, por exemplo, a
meditação. E aí surge então mais dúvidas sobre o que seja a meditação, palavra
tão usada em tantos contextos. E, afinal, o que é meditar?
Não sabemos quase nada de nós mesmos. Não sabemos como reagimos
a diferentes situações, não sabemos de onde vem exatamente aquela raiva que
sentimos, aquele ciúme, prazer, aquela satisfação, aquela alegria, aquela
frustração, aquela depressão. Muitas vezes nem sabemos o que sentimos
exatamente e nem a causa desses sentimentos. Chegamos até mesmo a pensar que
isso não é importante e nem temos tempo para pensar sobre isso porque o
trabalho toma 10 horas do nosso dia e depois estamos esgotados mentalmente e
temos de dormir porque o dia seguinte vai exigir muito mais e aí... não
conseguimos dormir direito e o dia amanhece e vamos ao trabalho e todos os e-mails estão lá para serem lidos e todas as
decisões para serem tomadas e todos os sentimentos passam pelo sistema nervoso
e nossas células são acionadas sem que saibamos, sem que tenhamos tempo para
parar 15 minutos para nos checar, nos acolher, nos acomodar dentro de nós
mesmos.
Uma mente agitada, se agita, se dispersa e se frustra. Não há
espaço para estarmos consciente de nossas limitações, competências e
sentimentos. Não há espaço e tempo para nos escutar, refletir, trazer esse
conhecimento para o dia a dia e praticar para termos novos registros mentais.
Sem isso, continuamos vivendo a repetição da superficialidade das
experiências.
A mente é estruturada para trazer a experiência para nosso
conhecimento e se não nos aprofundamos em nós mesmos, não amadurecemos.
Perdemo-nos nos eventos do dia a dia e somente reagimos a ele sempre da mesma
maneira, e isso não traz nenhum conhecimento.
Só quando sei como eu funciono internamente é que surge a chance
de transformação. Não olhamos mais para o “problema”, mas acolhemos as coisas
positivas e negativas e acomodamos essa minha pessoa nessa mente maior. Se eu
sei que essa mente maior está lá, então o meu foco não é no problema, no
evento, mas o foco é na paz, no silêncio que eu já sou.
“É possível, sentada no silêncio que eu já sou, enxergar a
“raiva” que sinto e então essa raiva se acalma e sai de mansinho. Minha mente
pode estar concentrada em um trabalho que estou fazendo, mas o meu foco é o
silêncio, o silêncio que é a base de minha mente que sou eu”.
Gosto da imagem do rio que nasce e vem descendo, encontrando
obstáculos grandes e pequenos e continua indo como se tivesse uma ideia fixa
até se unir com o oceano e quando se une... tudo vira oceano. Contornando os obstáculos, o rio não se
desvia de sua meta maior que é se entregar ao oceano.
“Água vem, água vem
O coração é o oceano
Eu estou em paz.
Eu sou a paz”
22 de julho de 2012
Num Dia
"Não esperar nada acontecer
Ser gentil com qualquer pessoa"
NUM DIA
Arnaldo Antunes
Sujar o pé de areia pra depois lavar na água
Lavar o pé na água pra depois sujar de areia
Esperar o vaga-lume piscar outra vez
Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima
Lavar o pé na água pra depois sujar de areia
Esperar o vaga-lume piscar outra vez
Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima
Sujar o pé de are ia pra depois lavar na água
Respirar
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva
Não esperar nada acontecer
Ser gentil com qualquer pessoa
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva
Não esperar nada acontecer
Ser gentil com qualquer pessoa
Sujar o pé de areia pra depois lavar na água
Lavar o pé na água pra depois sujar de areia
Esperar o vaga-lume piscar outra vez
Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima
Lavar o pé na água pra depois sujar de areia
Esperar o vaga-lume piscar outra vez
Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima
Respirar
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva
Ter saudade no final da tarde
Para quando escurecer, esquecer
Ao se deitar para dormir, dormir
Dormir.
11 de julho de 2012
SIMPLIFICAR
Minha irmã mais velha
está fazendo 70 anos. E ela estava para decidir se celebraria essa data com uma
viagem ou com uma festa com família e amigas. Eu dei minha opinião: “Por que
você precisa optar por um deles? Por que não pode ficar com os dois?” Ela adora
viajar para qualquer lugar. Se ela for ali na esquina vai voltar falando que
adorou o lugar e que tudo era maravilhoso e lindo. Ela também adora festas. Não
perde nenhuma. Não importa se é festa de aniversário de criança ou adulto,
casamento ou quermesse. Gosta de todas. Vai em todas. Adora dançar, visita
pessoas frequentemente. E não é só na alegria das festas que ela está presente,
ela também vai ver os doentes, vai aos enterros, ajuda em sua paróquia etc. Em
seus aniversários anteriores, sua casa ficou lotada, tamanho o número de amigos
que apareceu para lhe dar um beijo.Por isso achava que ela não podia optar por uma coisa só. Perguntei a ela: se você não fizer essa festa agora, vai fazer quando? Se você não for viajar agora, vai viajar quando?
Na verdade tenho feito essas perguntas para mim, apesar de ser 15 anos mais nova que ela. É que percebo hoje que a vida é muito muito curta. De repente você abre os olhos e lá se foram cinquenta anos. E mesmo com certas perdas, se compararmos com nossos 20 anos, posso dizer que essa é a melhor fase de minha vida, onde não existe mais ansiedades, ilusões, onde não tenho de escolher entre uma faculdade ou outra, trabalhar em uma firma ou ser autônoma, encontrar um companheiro, casar com essa ou aquela pessoa, ter ou não quantos filhos. Ufa! É como se essa fase de construção tivesse se ajeitado e agora seria mais a de usufruir das escolhas e ser livre para novas escolhas, agora mais relacionadas à essência do por que estou aqui. É como se até agora eu só estivesse no processo de acordar, de me lembrar porque estou aqui nessa existência e a partir de agora eu começasse realmente a viver o essencial da vida.
Hoje faço o trabalho de simplificar a vida. Simplificar o modo de viver, simplificar o meu guarda roupa, a comida que como, meu jeito de limpar a casa, simplificar o meu trabalho e o jeito que lido com ele. Simplificar o que eu como, o que eu falo e o que eu escuto. Simplificar o que eu penso, o que eu sinto, o que eu vejo. Simplificar meus desejos, meus relacionamento com as pessoas. Segundo Satish Kumar,“para um futuro sustentável, precisamos trabalhar menos, fazer menos, gastar menos e ser mais. Diminua o ritmo e vá mais longe. De uma existência simples surgem relacionamentos, celebrações e alegria. Um modo de vida sustentável é um modo de vida feliz. Viva com mais leveza, tirando da natureza somente o que é necessário, de modo a deixar uma pegada menor sobre a Terra.”
Simplificar para ser
livre e poder tirar de cada experiência o melhor. Assim qualquer coisa
corriqueira pode ser algo muito prazeroso, belo, alegre e cheio de conteúdo.
Ontem, um lindo pôr do sol aconteceu na janela de meu apartamento e, naquele
momento eu estava fazendo alguma outra coisa. Eu parei e pensei: “Se eu não
olhar, não contemplar esse pôr do sol agora, vou fazê-lo quando?” E ficar ali
por 15 minutos vendo meu olhos contemplarem aquelas cores e ouvir meus ouvidos
ouvirem o silêncio do fim do dia se adentrar em mim foi algo muito restaurador.
Perdi a dimensão do tempo e do espaço e registrei em minha alma aquela
impressão única de que eu não era separada daquela cor, daquele sol, daquele
silêncio, daquilo que acontecia sob as leis cósmicas. Eu era parte de tudo.Por isso, não dá mais para ficar sentada assistindo televisão ou fazendo qualquer outra coisa que não me acrescente coisa alguma. Não dá mais pra perder tempo com coisas que não sejam simples, essenciais. Por isso não dá para adiar o que temos que fazer aqui.
E voltando ao aniversário de minha irmã, ela resolveu então celebrar seu aniversário dançando com as pessoas que ela gosta e viajando pelo mar atravessando o oceano. E se não fizer isso agora, vai fazendo quando? Que ela receba de volta toda alegria que ela transmite às pessoas através de seu entusiasmo e de sua vontade de deixar o mundo mais bonito. Parabéns mana!
1 de julho de 2012
Natureza em movimento
É engraçado a força que as coisas costumam ter,
quando elas precisam acontecer"
C.Veloso
17 de junho de 2012
Impermanência
Em
minhas práticas diárias de Yoga sempre me vêm alguns entendimentos que talvez
eu levasse mais tempo para consegui-los se não praticasse Yoga. Vejo cada
exercício como grandes e verdadeiras metáforas do que vivemos e, por isso, pra
mim tudo faz muito sentido.
Por exemplo: no Yoga temos a permanência num exercício e nem sempre é fácil permanecermos em uma posição que não seja confortável. Assim como na vida, temos momentos que não conseguimos nos equilibrar naquela situação, queremos fugir, queremos desviar, mas a única solução é a permanência. Mesmo sabendo que não é pra sempre. No Yoga, o praticante deve se centrar entre seu corpo e sua mente, pois é aí que encontramos a nossa força de vontade. Assim também acontece nessas situações diárias em que a única opção é a permanência. Vamos praticando de acordo com nossa capacidade, mas vamos tentando expandir um pouco mais.
Tomar
chá em uma de minhas canecas que vou colecionando é um ritual bem gostoso que
acalma minha mente, esquenta meu corpo e relaxa os músculos. Existe algo de quietude
em se observar a fumacinha sair de seu chá. O bolo de cenoura que o Edmilson
faz é um casamento perfeito com o chá de menta ou erva doce que eu adoro. Tem
gente que gosta de café com leite e isso me traz uma doce lembrança de meu pai,
que experimenta outras experiências agora, mas que gostava muito de café com
leite e da broa feita pela minha mãe. Essa também é uma lembrança que aquece o
coração. A sopa de legume, colorida, que a vizinha me dá é também algo muito
reconfortante após um dia de trabalho.
Por exemplo: no Yoga temos a permanência num exercício e nem sempre é fácil permanecermos em uma posição que não seja confortável. Assim como na vida, temos momentos que não conseguimos nos equilibrar naquela situação, queremos fugir, queremos desviar, mas a única solução é a permanência. Mesmo sabendo que não é pra sempre. No Yoga, o praticante deve se centrar entre seu corpo e sua mente, pois é aí que encontramos a nossa força de vontade. Assim também acontece nessas situações diárias em que a única opção é a permanência. Vamos praticando de acordo com nossa capacidade, mas vamos tentando expandir um pouco mais.
Falando
de uma outra coisa: E lá vem o frio
novamente - como escrevi o ano passado, o frio é algo desafiante pra mim. Ok,
ok, já melhorei bastante. Tento não reclamar (isso parece um vício). Tento
entender que assim como em toda natureza, há momentos de recolhimento, como se
toda a natureza nesse lugar se recolhesse, para se aprofundar. Tento entrar
nesse clima de recolhimento, de olhar mais pra dentro de mim e pra dentro das
coisas que vão acontecendo. Presto mais atenção em minhas articulações que
ficam mais duras, minha alergia teima em (re)aparecer e a pressão do meu ouvido
me faz ficar mais quieta também. Tento então ficar mais atenta para outras
belezas.
Tomar
chá em uma de minhas canecas que vou colecionando é um ritual bem gostoso que
acalma minha mente, esquenta meu corpo e relaxa os músculos. Existe algo de quietude
em se observar a fumacinha sair de seu chá. O bolo de cenoura que o Edmilson
faz é um casamento perfeito com o chá de menta ou erva doce que eu adoro. Tem
gente que gosta de café com leite e isso me traz uma doce lembrança de meu pai,
que experimenta outras experiências agora, mas que gostava muito de café com
leite e da broa feita pela minha mãe. Essa também é uma lembrança que aquece o
coração. A sopa de legume, colorida, que a vizinha me dá é também algo muito
reconfortante após um dia de trabalho.
Não,
não esqueci dos ipês que estão começando a dar o ar de da graça. Embelezam o
dia e as ruas por onde eu dirijo. E lá vou eu permanecendo neste encantamento
mesmo dirigindo. Também tem o banho quente antes de dormir. Meu corpo relaxa,
alivia os músculos parados.
Às
vezes, o sol aparece só pra dizer que nada é pra sempre, que os ciclos mudam
sempre. Pensar nisso acalma minha mente e posso ficar na permanência deste
“asana” (postura no Yoga) com mais consciência.
Bom, estou então aprendendo que, na vida, às
vezes temos que viver alguma situação por um determinado tempo e não dá para
fugir - e temos que nos concentrar e fazer o melhor que pudermos, sempre
expandindo um pouco mais. Mas vejo também que mesmo nesses períodos de
permanência, onde adquirimos força, há uma “impermanência” de tudo, pois tudo é
transitório. O meu corpo, as minhas verdades, o meu ego, as minhas emoções –
tudo é transitório. E isso me leva sempre àquela pergunta:
“Então o que é
eterno em mim?”
Mas isso já é assunto para outro blog...
24 de maio de 2012
Paz Mental
“Quando
a dor de não estar vivendo
for maior que o medo da mudança,
a pessoa muda”
S.
Freud.
Hoje podemos ter muita ajuda profissional para nos ajudar nas mudanças. Mas para que mudar? Procuramos essa ajuda quando percebemos que nossas crenças, nossa maneira de ver a vida, nossas atitudes já não funcionam mais. Em determinado momento pensamos que o mundo precisa mudar, que as pessoas precisam mudar. Até tentamos mudá-los para termos um pouco de paz mental. Mas mudar o outro, mudar o mundo é coisa que não conseguimos.
Usar do mesmo comportamento que sempre tivemos também não ajuda. Qualquer coisa que eu faça não é garantia de que o outro mude. Como posso ser feliz se o outro não muda? - nos perguntamos muitas vezes.
Descobrir que o que tenho feito e pensado não ajuda muito em determinada situação já é um grande passo, porque não é fácil admitir que tudo o que aprendi sobre o que seriam as verdades do mundo não funciona mais e eu tenho que me abrir para ver outras possibilidades.
Swami Saraswati no seu livro Valor dos Valores” diz: “Quando cobro do outro uma atitude, provoco muitas agitações na minha mente. A pessoa sobre quem faço tal cobrança pode não responder ou pode responder com hostilidade ou me fazendo cobrança por um respeito ainda maior.
O resultado são mágoas mútuas, atritos entre nós, mentes agitadas... A mágoa só é possível quando existe um ego inflamado... Um ego esvaziado e magoado tende a gastar muito tempo planejando como ensinar uma lição a quem o magoou... Se eu estou obcecado com a quantidade de respeito que recebo do outro, posso gastar muito tempo tentando analisar suas palavras e gestos...”
“Quando alguém reage a mim de maneira diferente da que eu gostaria, eu apenas observo minhas próprias reações, sem nenhuma reação extra. Da posição de observador, vejo a falta de sentido das minhas expectativas em todo seu absurdo.” Percebemos que queremos que o outro mude porque nosso real desejo é a esperança de que essa mudança me faça sentir mais confortável comigo mesmo.”
O trabalho de mudança, então, em mim é grande e ele começa quando a dor que sinto é insuportável e eu estou cansada de sentir o que estou sentindo. Mudo pra sobreviver, mudo porque minha consciência compreende que eu tenho um mundo de possibilidades dentro de mim. Aceitar o outro como ele é, é o primeiro passo para termos paz mental.
Quando eu reajo ao mundo, minha mente não tem paz, a experiência não me ensinará nada e as emoções dolorosas invadirão meu ser. A reação a um evento é uma resposta automática que nasce dos nossos hábitos mentais de gostar e não gostar.
Podemos então agir ao evento, ao invés de reagir a ele. Agir significa ver as coisas como elas são, como simples eventos e não como problemas e sofrimentos. Aceitar os eventos como eles são nos dá a possibilidade de aprender com eles. Quando a palavra aceitação é dita sempre nos causa alguma inquietação porque usamos nossos hábitos mentais para embutir nela o paradigma da submissão, de passar por bobo, de não ter atitude etc. No caso, a aceitação aqui é não criar resistência ao fato dentro de nós, sem considerarmos nossa sabedoria e nossa postura mental.
Reagir é quando despejamos nossos medos, nossa raiva reprimida, nossa não aceitação do outro ser quem é ou de um fato ser como é. Queremos que o mundo e as pessoas façam aquilo que eu considero correto e bom para mim e se isso não acontece, sinto dor porque evidencia tudo aquilo que preciso trabalhar dentro de mim. O mundo não existe para satisfazer nossas vontades.
Reação é diferente de ação. Na ação, eu vejo o fato, eu analiso o fato, percebo como ele processa dentro de mim. Tiro a erva daninha de dentro de mim e aí eu sei o que devo fazer, em que momento devo fazer e para que fazer. Sem isso, é pura reação que atrai uma outra reação mecânica todas apoiadas pelas nossas emoções não trabalhadas. A reação eu não escolho, é mecânica. A ação é uma escolha baseada no meu autoestudo, sabendo que não temos controle no resultado dessa ação.
Uma mente livre de reações é uma mente quieta e receptiva, objetiva e serena e está pronta para descobrir o fato de que não existe separação entre o indivíduo e a criação.
Só a partir dessa construção de nossa paz mental podemos começar a falar de paz no mundo.
16 de maio de 2012
Nossos Vazios
Minha aluna e amiga Carol me mandou esse
video de 18 minutos e eu gostei tanto que achei que deveria colocar aqui no
“Coisas da Vida”.
.....para fazer o caminho de volta para nossa essência
Marcelo L. Cardoso é vice-presidente de Desenvolvimento Organizacional e Sustentabilidade da Natura, sendo responsável pela implementação do Sistema de Gestão Natura que compreende as áreas de Estratégia, Gestão e Pessoal. Antes de ingressar na Natura, em maio de 2008, foi diretor executivo da DBM do Brasil e presidente regional para a América Latina. Atuou também na GP Investimentos, presidiu o Hopi Hari e foi diretor financeiro da Playcenter S.A. e da Método Engenharia, entre outras empresas. Marcelo é graduado em Administração de Empresas, com extensão na Kellogg-Northwestern, de Chicago. Participou de programas executivos na American University, Washington DC (1993) e no Insead (2001). Além disso, é Coach e Facilitador, Presidente e Fundador do Instituto Integral Brasil e membro do Conselho Diretivo do Instituto Ethos.
.....para fazer o caminho de volta para nossa essência
precisamos
de coragem para olhar para o nosso vazio...
E é por aí que o palestrante Marcelo fala de
suas descobertas de como preencher nossos vazios.
Marcelo L. Cardoso é vice-presidente de Desenvolvimento Organizacional e Sustentabilidade da Natura, sendo responsável pela implementação do Sistema de Gestão Natura que compreende as áreas de Estratégia, Gestão e Pessoal. Antes de ingressar na Natura, em maio de 2008, foi diretor executivo da DBM do Brasil e presidente regional para a América Latina. Atuou também na GP Investimentos, presidiu o Hopi Hari e foi diretor financeiro da Playcenter S.A. e da Método Engenharia, entre outras empresas. Marcelo é graduado em Administração de Empresas, com extensão na Kellogg-Northwestern, de Chicago. Participou de programas executivos na American University, Washington DC (1993) e no Insead (2001). Além disso, é Coach e Facilitador, Presidente e Fundador do Instituto Integral Brasil e membro do Conselho Diretivo do Instituto Ethos.
7 de maio de 2012
Mães
![]() |
| Irene |
E o Dia das Mães sempre se confunde com o dia do aniversário da
minha mãe, que faz no dia 12/05. Já celebramos o aniversário neste último
domingo, pois fazer 90 anos não é pra qualquer um não.
No seu caminhar lento me lembro do quanto ela caminhou para nos
proteger, nos alimentar, nos garantir estrutura emocional. Nós, quero dizer,
filhos, parentes, vizinhos, amigos, o pedinte, o entregador de gás, o lixeiro,
qualquer pessoa que batesse à sua porta, ela ouvia a história, e dava um jeito
de dar alguma coisa. Agora, naquele corpo mais frágil, percebo o ensinamento de
que não somos só o nosso corpo físico. Somos muito mais que isso. Somos essa
energia que almeja sempre ir para cima, como toda a vegetação que vai em
direção ao sol. Essa é a nossa essência, essa força que sempre caminha em
direção à Luz, independente da história que vivemos aqui, da história que
precisamos viver aqui.
Minha mãe colocou toda sua energia amorosa no arrumar e limpar a
casa, no cozinhar com tanta tranquilidade, quase uma meditação, em frente ao
velho fogão Dako, da minha idade, que ela não troca por nada nesse mundo.
Quando eu era pequena, me pegava admirada com uma tacinha de
cural que eu comia. É que não entendia muito bem como é que minha mãe fazia
aquela mágica. Ela capinava todo o quintal de casa. Fazia buraquinhos na terra e
eu jogava uns grãozinhos de milho lá nos buraquinhos. Depois fechávamos os
buraquinhos e toda a tarde a gente regava aquela terra com regador. De repente
começavam a brotar dali umas plantinhas verdes e quando cresciam, minha mãe
tirava uns cachos e desembrulhava-os e o milagre estava lá: milhares de milhos
iguais aqueles que eu tinha colocado no buraquinho. Minha mãe transformava
aquilo num líquido amarelo e colocava no fogo e mexia como se estivesse abençoando
toda aquela magia. Antes de comer, eu ficava imaginando tudo aquilo e como
minha mãe era poderosa. Aprendi com ela então que o milagre já existe, só
precisamos arregaçar as mangas e fazer com que eles se manifestem.
Foi assim que minha mãe me passou valores universais: através de
suas ações e dessa conexão com a natureza que ela mantinha. Celebrar seus
noventa anos foi como reviver tudo que eu aprendi.
E agora o Dia das Mães chega e lá me pego pensando novamente em
todas as mães. Nas mães das mães e nas mães das mães das mães.
No ano passado também escrevi mais ou menos sobre isso e repito
aqui o que disse por achar de extrema importância o nosso respeito a essas
mulheres, que nos deram à vida e os nossos maridos e os nossos amigos. Mulheres
vindas de mulheres que preparam os alimentos que alimentam, que são guardiãs
dos valores e da amorosidade. E se nossas mães, em especial, não fizeram isso,
no mínimo, no mínimo nos deram a vida e isso é tudo que precisamos para ter uma
gratidão eterna.
No Yoga há vários asanas (posturas) onde baixamos a cabeça
simbolizando que eu reconheço a minha existência e a importância fundamental
que minha mãe e meu pai têm nessa minha existência. Isso, temos que honrar!
Honrar o que ficou atrás para eu poder seguir com a cabeça erguida e com
humildade. Eu plantei o meu corpo. Meu corpo é perfeito e se torna mais
perfeito ainda se eu honro o que fui. Só vou para frente quando honro o que vem
antes de mim.
Deixo então aqui, mais uma vez, minha profunda gratidão e reconhecimento a todas as mulheres (Irene, Silvana, Francisca, Roza... e a Carminha, outra mulher que trouxe a essa vida o Edmilson que é meu companheiro de jornada, mães de mães que me possibilitaram estar aqui e agora com toda a vida e experiências vividas por todas elas presentes em mim. Portanto, somos todas ligadas como somos ligadas ao planeta, ao universo, ao mar, à floresta, à terra, ao fogo e ao ar e ao cural do quintal de minha mãe. Tudo isso vive dentro de mim.
Deixo então aqui, mais uma vez, minha profunda gratidão e reconhecimento a todas as mulheres (Irene, Silvana, Francisca, Roza... e a Carminha, outra mulher que trouxe a essa vida o Edmilson que é meu companheiro de jornada, mães de mães que me possibilitaram estar aqui e agora com toda a vida e experiências vividas por todas elas presentes em mim. Portanto, somos todas ligadas como somos ligadas ao planeta, ao universo, ao mar, à floresta, à terra, ao fogo e ao ar e ao cural do quintal de minha mãe. Tudo isso vive dentro de mim.
Feliz Dias das Mães a todas as mulheres com ou sem filhos. Que
nossos frutos representem a amorosidade para com todos os seres vivos.
![]() |
| Minha mãe e suas irmãs |
28 de abril de 2012
Paz
Lindo filme. Se pudéssemos ter essa experiência no nosso primeiro contato com esse planeta, talvez nossa história pudesse ter outra qualidade.
23 de abril de 2012
VALORES UNIVERSAIS
Hoje em dia o que mais ouço e me pego falando é sobre quantas atividades temos num dia só. Parece que a gente não consegue parar nunca. É uma atividade atrás da outra. Ufa! Algumas vezes noto que, independente de quanto fazemos, chega o fim do dia e estamos exaustos, mas em outros estamos tranquilos. De onde concluo que, na verdade, não é o quanto temos para fazer, mas quanto nossa mente fica agitada. Todos nós já experimentamos a sensação de que nossa mente não para de pensar e estamos sempre tentando achar soluções através delas, elaborando ações e respostas às pessoas que, de alguma forma, nos feriram ou nos desqualificaram, ou, ainda, nos desrespeitaram. Criamos diálogos em nossas mentes baseados em nossa dor e tentamos responder ao mundo mostrando essa dor através da raiva, do medo, da insegurança, mesmo que venham mascarados por sentimentos nobres como o de justiça. Não conseguimos trazer paz para a nossa mente.
Mas afinal qual a função de nossa mente? “A mente é o lugar onde o conhecimento acontece”, de acordo com o livro que estou lendo “O Valor dos Valores” (veja na lista de livros a direita do blog) e, se esse conhecimento não acontece, é porque existe um obstáculo. Se temos nossa mente cheia de afazeres que usamos para encontrar meios de driblar ou rejeitar nossas emoções, fica difícil o conhecimento chegar até nós. Precisamos abrir espaços em nossas mentes para que um novo referencial, um novo conhecimento chegue até ela. Portanto, a mente precisa se preparar. O livro diz que praticar exercícios respiratórios, exercícios físicos podem ser úteis para aquietar a mente, mas não preparam a mente para o autoconhecimento.
O que prepara a mente para o autoconhecimento são as práticas dos valores universais e esses valores são certas atitudes éticas universais. O livro diz que “um valor ético é um padrão ou norma de conduta originado na maneira pela qual eu desejo que os outros me vejam ou me tratem.” Esses valores não têm nada a ver com religião, embora eles alicercem muitas delas.
Tudo o que eu não quero que os outros me façam é um comportamento inadequado. Portanto eu tenho a mim mesma como referência para saber quais são esses valores universais. Por exemplo: não quero que o outro minta para mim, quero que me diga a verdade. Portanto esse é um valor para mim. Assim eu pratico não dizer mentira. E assim podemos então saber o que é um valor para cada um de nós.
Minha vida só pode me levar ao autoconhecimento se eu praticar os meus valores internos que são os valores universais não baseados em raça, religião, sexo, preconceitos etc.
Uma vez que sei quais são esses valores, eu uso esses valores. Se não uso, se por algum motivo me desvio desses valores, eu entro em conflito interno comigo mesmo e nesse momento a mente começa a se agitar porque crio uma semente de culpa que gera a insônia, o medo. Mesmo pequenas mentiras registram internamente esses conflitos.
O conflito então aparece quando não conseguimos viver de acordo com determinado valor e, assim, não posso estar confortável. Consequentemente nossa qualidade de vida sofre sempre que nos tornamos divididos. “A expressão da minha vida é exatamente a mesma da minha estrutura de valores bem assimilados. O que eu faço é só expressão do que é valioso para mim".
Se faço desse ato de não viver conforme esses valores universais uma rotina, começo a destruir dentro de mim a minha expressão no mundo. Vivo a vida rasa, o acordar, trabalhar, pagar as contas, dormir e acordar novamente. Quem quer viver a vida rasa, sem profundidade, sem se conhecer, sem saber o que eu quero e para onde estou indo e como faço para chegar lá?
Estou me deliciando com esse livro que cita, na sequência, 20 valores que são necessários para preparar a mente para o autoconhecimento. Mas esse vai ser tema para um outro post.
Abaixo 2 minutos e meio de belo poema de Professor Hermógenes.
2 de abril de 2012
Sustentação
Não adianta, a vida é cheia de eventos que às vezes julgamos
agradáveis e às vezes desagradáveis. Desde crianças temos desafios para
enfrentar e, se os pais permitirem sem nos superproteger, vamos aprendendo logo
cedo como podemos lidar com eles. As crianças que têm
tudo o que querem sem o mínimo de esforço para conseguir, desenvolvem uma baixa
resistência à frustração, tornando-se rebeldes e adultos infantilizados, sem
conseguir se adaptar em diversas áreas de suas vidas. Se somos impedidos de
viver frustrações quando crianças teremos de aprender na vida enquanto
crescemos. Resiliência é a palavra usada hoje para dizer o quanto temos de
sustentação interna para lidar com os diferentes eventos da vida e com as
emoções que delas surgem e para nos adaptarmos às mudanças externas, superarmos
obstáculos.
Refletia sobre isso ao fazer a postura do Pilar do Yoga. Como é
desafiante você ficar com suas pernas esticadas para cima formando um ângulo de
90 graus com o solo. Sentir tranquilidade na respiração enquanto você está numa
posição diferente do dia a dia. Permanecer ali, enquanto tudo começar a
esquentar. As pernas querem cair, mas você as alinha, e as mantém ativas e
firmes através do abdome e da respiração.
Precisamos do Pilar porque precisamos de sustentação, que é a
autoconfiança, disciplina e alinhamento. Precisamos de sustentação para segurar
aquilo que é nosso. Ninguém vai viver a minha história, só eu posso fazer isso.
E como dizia meu pai, “já que isso é meu e nada pode ser feito para modificar,
vou viver de cabeça erguida até o fim, com coragem e cumprir minha missão, sem
reclamar”. Essa aceitação do imponderável é também uma compreensão dessa
sustentação interna do que já foi e do que virá em nossas vidas.
Às vezes a morte de um pai, de uma mãe pode nos dar a sensação de
que perdemos essa sustentação, de que estamos no vazio. Mas é nesse vazio que
posso enxergar o quanto de sustentação eu construí em mim. O que todos os
eventos que vivi me tornaram? Em que paisagem eu escolho deitar meu olhar?
Se eu me permito viver a vida com todos os acontecimentos que me
vêm, optando pelo aprender, pelo autoestudo, pela curiosidade e criatividade em
seguir novos caminhos, faço disso um pilar interno que me sustenta e me alinha.
Se eu me sustento, deixo o outro, deixo a criança se sustentar
também. Se não me sustento, me dependuro nas pessoas e, ao mesmo tempo em que
sobrecarrego o outro, não descubro a beleza de ser inteira.
24 de março de 2012
Saúde Integral
Hoje, sem desconsiderar toda a importância das descobertas feitas pelos cientistas, vivemos em um mundo recortado por áreas e disciplinas, separado por especialistas, numa abordagem cartesiana e que influenciou nossa visão de mundo, vendo-nos como centro do universo sem nenhuma correlação com o Todo. Sem essa consciência do Todo, não percebemos a relação entre as coisas e as nossas atitudes. A nossa busca real é ir além da dualidade e de tudo que limita e que fragmenta. A meta não se destina a reduzir o sofrimento a dimensões normais, mas transcender o sofrimento.
Entrar em contato com os sentimentos de alguém é de pouco valor, se tais sentimentos sombrios não são transformados, resgatando assim a possibilidade de criarmos com consciência a nossa ação no mundo, através das escolhas, não mais como vítimas, mas como agentes de transformação.
Uma amiga me enviou hoje uma entrevista com o Dr. Jorge Carvajal, médico cirurgião da Universidade de Andaluzia, Espanha, pioneiro da Medicina Bioenergética que coloco abaixo.
É interessante uma visão de alguém que está totalmente envolvido com a ciência ocidental e que nem por isso nega que somos constituídos de algo mais.
“A alma não pode adoecer, porque é o que há de perfeito em ti, a alma evolui, aprende... Quando nossa personalidade resiste aos desígnios da alma, adoecemos.
70 por cento das enfermidades do ser humano vêm do campo da consciência emocional. As doenças muitas vezes procedem de emoções não processadas, não expressadas, reprimidas. O medo, que é a ausência de amor, é a grande enfermidade... Quando o temor se congela, afeta os rins, as glândulas suprarrenais, os ossos, a energia vital, e pode converter-se em pânico... Tens que cuidar de ti. Tens teus limites, não vás além. Tens que reconhecer quais são os teus limites e superá-los, pois, se não os reconheceres, vais destruir teu corpo.
A raiva é santa, é sagrada, é uma emoção positiva, porque te leva à auto-afirmação, à busca do teu território, a defender o que é teu, o que é justo. Porém, quando a raiva se torna irritabilidade, agressividade, ressentimento, ódio, ela se volta contra ti e afeta o fígado, a digestão, o sistema imunológico.
A alegria é a mais bela das emoções, porque é a emoção da inocência, do coração e é a mais curativa de todas, porque não é contrária a nenhuma outra. Um pouquinho de tristeza com alegria escreve poemas. A alegria com medo leva-nos a contextualizar o medo e a não lhe darmos tanta importância.
A alegria suaviza todas as outras emoções, porque nos permite processá-las a partir da inocência. A alegria põe as outras emoções em contato com o coração e dá-lhes um sentido ascendente. Canaliza-as para que cheguem ao mundo da mente.
A tristeza é um sentimento que pode te levar à depressão quando te deixas envolver por ela e não a expressas, porém ela também pode te ajudar. A tristeza te leva a contatares contigo mesmo e a restaurares o controle interno. Todas as emoções negativas têm seu próprio aspecto positivo. Tornamo-las negativas quando as reprimimos.
...Quando se aceitam (as emoções negativas), elas fluem, e já não se estancam e podem se transmutar. Temos de as canalizar para que cheguem à cabeça a partir do coração. Realmente as emoções básica são o amor e o medo (que é ausência de amor), de modo que tudo que existe é amor, por excesso ou deficiência. Construtivo ou destrutivo. Porque também existe o amor que se aferra, o amor que superprotege, o amor tóxico, destrutivo.
Como prevenir a enfermidade?
Somos criadores, portanto creio que a melhor forma é criarmos saúde. E, se criarmos saúde, não teremos que prevenir nem combater a enfermidade, porque seremos saúde.
E se aparecer a doença?
Teremos, pois, de aceitá-la, porque somos humanos. Krishnamurti também adoeceu de um câncer de pâncreas e ele não era alguém que levasse uma vida desregrada. Muita gente espiritualmente muito valiosa já adoeceu. Devemos explicar isso para aqueles que creem que adoecer é fracassar.
O fracasso e o êxito são dois mestres e nada mais. E, quando tu és o aprendiz, tens que aceitar e incorporar a lição da enfermidade em tua vida... Cada vez mais as pessoas sofrem de ansiedade. A ansiedade é um sentimento de vazio, que às vezes se torna um oco no estômago, uma sensação de falta de ar. É um vazio existencial que surge quando buscamos fora em vez de buscarmos dentro. Surge quando buscamos nos acontecimentos externos, quando buscamos muleta, apoios externos, quando não temos a solidez da busca interior. Se não aceitarmos a solidão e não nos tornarmos nossa própria companhia, sentiremos esse vazio e tentaremos preenchê-lo com coisas e posses. Porém, como não pode ser preenchido de coisas, cada vez mais o vazio aumenta.
Então, o que podemos fazer para nos libertarmos dessa angústia?
Não podemos fazer passar a angústia comendo chocolate ou com mais calorias, ou buscando um príncipe fora. Só passa a angústia quando entras em teu interior, te aceitas como és e te reconcilias contigo mesmo. A angústia vem de que não somos o que queremos ser, muito menos o que somos, de modo que ficamos no "deveria ser", e não somos nem uma coisa nem outra. O stress é outro dos males de nossa época. O stress vem da competitividade, de que quero ser perfeito, quero ser melhor, quero ter uma aparência que não é minha, quero imitar. E realmente só podes competir quando decides ser um competidor de ti mesmo, ou seja, quando queres ser único, original, autêntico e não uma fotocópia de ninguém. O stress destrutivo prejudica o sistema imunológico. Porém, um bom stress é uma maravilha, porque te permite estar alerta e desperto nas crises e poder aproveitá-las como oportunidades para emergir a um novo nível de consciência.
O que nos recomendaria para nos sentirmos melhor com nós mesmos?
A solidão. Estar consigo mesmo todos os dias é maravilhoso. Passar 20 minutos consigo mesmo é o começo da meditação, é estender uma ponte para a verdadeira saúde, é aceder o altar interior, o ser interior. Minha recomendação é que a gente ponha o relógio para despertar 20 minutos antes, para não tomar o tempo de nossas ocupações. Se dedicares, não o tempo que te sobra, mas esses primeiros minutos da manhã, quando estás rejuvenescido e descansado, para meditar, essa pausa vai te recarregar, porque na pausa habita o potencial da alma.
O que é para você a felicidade?
É a essência da vida. É o próprio sentido da vida. Estamos aqui para sermos felizes, não para outra coisa. Porém, felicidade não é prazer, é integridade. Quando todos os sentidos se consagram ao ser, podemos ser felizes. Somos felizes quando cremos em nós mesmos, quando confiamos em nós, quando nos empenhamos transpessoalmente a um nível que transcende o pequeno eu ou o pequeno ego. Somos felizes quando temos um sentido que vai mais além da vida cotidiana, quando não adiamos a vida, quando não nos alienamos de nós mesmos, quando estamos em paz e a salvo com a vida e com nossa consciência. Viver o Presente.
Deixamos ir-se o passado e não hipotecamos a vida às expectativas do futuro quando nos ancoramos no ser e não no ter, ou a algo ou alguém fora. Eu digo que a felicidade tem a ver com a realização, e esta com a capacidade de habitarmos a realidade. E viver em realidade é sairmos do mundo da confusão. Temos três ilusões enormes que nos confundem:
Primeiro: cremos que somos um corpo e não uma alma, quando o corpo é o instrumento da vida e se acaba com a morte.
Segundo: cremos que o sentido da vida é o prazer, porém com mais prazer não há mais felicidade, senão mais dependência... Prazer e felicidade não são o mesmo. Há que se consagrar o prazer à vida e não a vida ao prazer.
Terceiro: ilusão é o poder; desejamos o poder infinito de viver no mundo.. E do que realmente necessitamos para viver? Será de amor, por acaso?
O amor, tão trazido e tão levado, e tão caluniado, é uma força renovadora. O amor é magnífico porque cria coesão. No amor tudo está vivo, como um rio que se renova a si mesmo. No amor a gente sempre pode renovar-se, porque ordena tudo. No amor não há usurpação, não há transferência, não há medo, não há ressentimento, porque quando tu te ordenas, porque vives o amor, cada coisa ocupa o seu lugar, e então se restaura a harmonia. Agora, pela perspectiva humana, nós o assimilamos com a fraqueza, porém o amor não é fraco. Enfraquece-nos quando entendemos que alguém a quem amamos não nos ama. Há uma grande confusão na nossa cultura. Cremos que sofremos por amor, porém não é por amor, é por paixão, que é uma variação do apego. O que habitualmente chamamos de amor é uma droga. Tal qual se depende da cocaína, da maconha ou da morfina, também se depende da paixão. É uma muleta para apoiar-se, em vez de levar alguém no meu coração para libertá-lo e libertar-me. O verdadeiro amor tem uma essência fundamental que é a liberdade, e sempre conduz à liberdade. Mas às vezes nos sentimos atados a um amor. Se o amor conduz à dependência é Eros. Eros é um fósforo, e quando o acendes ele se consome rapidamente em dois minutos e já te queima o dedo. Há amores que são assim, pura chispa. Embora essa chispa possa servir para acender a lenha do verdadeiro amor. Quando a lenha está acesa, produz fogo. Esse é o amor impessoal, que produz luz e calor.
Pode nos dar algum conselho para alcançarmos o amor verdadeiro?
Somente a verdade. Confia na verdade; não tens que ser como a princesa dos sonhos do outro, não tens que ser nem mais nem menos do que és. Tens um direito sagrado, que é o direito de errar; tens outro, que é o direito de perdoar, porque o erro é teu mestre. Ama-te, sê sincero contigo mesmo e leva-te em consideração. Se tu não te queres, não vais encontrar ninguém que possa te querer. Amor produz amor. Se te amas, vais encontrar amor. Se não, vazio. Porém nunca busques migalhas, isso é indigno de ti. A chave então é amar-se a si mesmo. E ao próximo como a ti mesmo. Se não te amas a ti, não amas a Deus, nem a teu filho, porque estás apenas te apegando, estás condicionando o outro. Aceita-te como és; não podemos transformar o que não aceitamos, e a vida é uma corrente permanente de transformações.Prof. Dr. Maurício Paes Landim
Professor Adjunto de Cardiologia UFPI/UESPI
Mestre em Medicina
Doutor em Cardiologia
Entrar em contato com os sentimentos de alguém é de pouco valor, se tais sentimentos sombrios não são transformados, resgatando assim a possibilidade de criarmos com consciência a nossa ação no mundo, através das escolhas, não mais como vítimas, mas como agentes de transformação.
Uma amiga me enviou hoje uma entrevista com o Dr. Jorge Carvajal, médico cirurgião da Universidade de Andaluzia, Espanha, pioneiro da Medicina Bioenergética que coloco abaixo.
É interessante uma visão de alguém que está totalmente envolvido com a ciência ocidental e que nem por isso nega que somos constituídos de algo mais.
“A alma não pode adoecer, porque é o que há de perfeito em ti, a alma evolui, aprende... Quando nossa personalidade resiste aos desígnios da alma, adoecemos.
70 por cento das enfermidades do ser humano vêm do campo da consciência emocional. As doenças muitas vezes procedem de emoções não processadas, não expressadas, reprimidas. O medo, que é a ausência de amor, é a grande enfermidade... Quando o temor se congela, afeta os rins, as glândulas suprarrenais, os ossos, a energia vital, e pode converter-se em pânico... Tens que cuidar de ti. Tens teus limites, não vás além. Tens que reconhecer quais são os teus limites e superá-los, pois, se não os reconheceres, vais destruir teu corpo.
A raiva é santa, é sagrada, é uma emoção positiva, porque te leva à auto-afirmação, à busca do teu território, a defender o que é teu, o que é justo. Porém, quando a raiva se torna irritabilidade, agressividade, ressentimento, ódio, ela se volta contra ti e afeta o fígado, a digestão, o sistema imunológico.
A alegria é a mais bela das emoções, porque é a emoção da inocência, do coração e é a mais curativa de todas, porque não é contrária a nenhuma outra. Um pouquinho de tristeza com alegria escreve poemas. A alegria com medo leva-nos a contextualizar o medo e a não lhe darmos tanta importância.
A alegria suaviza todas as outras emoções, porque nos permite processá-las a partir da inocência. A alegria põe as outras emoções em contato com o coração e dá-lhes um sentido ascendente. Canaliza-as para que cheguem ao mundo da mente.
A tristeza é um sentimento que pode te levar à depressão quando te deixas envolver por ela e não a expressas, porém ela também pode te ajudar. A tristeza te leva a contatares contigo mesmo e a restaurares o controle interno. Todas as emoções negativas têm seu próprio aspecto positivo. Tornamo-las negativas quando as reprimimos.
...Quando se aceitam (as emoções negativas), elas fluem, e já não se estancam e podem se transmutar. Temos de as canalizar para que cheguem à cabeça a partir do coração. Realmente as emoções básica são o amor e o medo (que é ausência de amor), de modo que tudo que existe é amor, por excesso ou deficiência. Construtivo ou destrutivo. Porque também existe o amor que se aferra, o amor que superprotege, o amor tóxico, destrutivo.
Como prevenir a enfermidade?
Somos criadores, portanto creio que a melhor forma é criarmos saúde. E, se criarmos saúde, não teremos que prevenir nem combater a enfermidade, porque seremos saúde.
E se aparecer a doença?
Teremos, pois, de aceitá-la, porque somos humanos. Krishnamurti também adoeceu de um câncer de pâncreas e ele não era alguém que levasse uma vida desregrada. Muita gente espiritualmente muito valiosa já adoeceu. Devemos explicar isso para aqueles que creem que adoecer é fracassar.
O fracasso e o êxito são dois mestres e nada mais. E, quando tu és o aprendiz, tens que aceitar e incorporar a lição da enfermidade em tua vida... Cada vez mais as pessoas sofrem de ansiedade. A ansiedade é um sentimento de vazio, que às vezes se torna um oco no estômago, uma sensação de falta de ar. É um vazio existencial que surge quando buscamos fora em vez de buscarmos dentro. Surge quando buscamos nos acontecimentos externos, quando buscamos muleta, apoios externos, quando não temos a solidez da busca interior. Se não aceitarmos a solidão e não nos tornarmos nossa própria companhia, sentiremos esse vazio e tentaremos preenchê-lo com coisas e posses. Porém, como não pode ser preenchido de coisas, cada vez mais o vazio aumenta.
Então, o que podemos fazer para nos libertarmos dessa angústia?
Não podemos fazer passar a angústia comendo chocolate ou com mais calorias, ou buscando um príncipe fora. Só passa a angústia quando entras em teu interior, te aceitas como és e te reconcilias contigo mesmo. A angústia vem de que não somos o que queremos ser, muito menos o que somos, de modo que ficamos no "deveria ser", e não somos nem uma coisa nem outra. O stress é outro dos males de nossa época. O stress vem da competitividade, de que quero ser perfeito, quero ser melhor, quero ter uma aparência que não é minha, quero imitar. E realmente só podes competir quando decides ser um competidor de ti mesmo, ou seja, quando queres ser único, original, autêntico e não uma fotocópia de ninguém. O stress destrutivo prejudica o sistema imunológico. Porém, um bom stress é uma maravilha, porque te permite estar alerta e desperto nas crises e poder aproveitá-las como oportunidades para emergir a um novo nível de consciência.
O que nos recomendaria para nos sentirmos melhor com nós mesmos?
A solidão. Estar consigo mesmo todos os dias é maravilhoso. Passar 20 minutos consigo mesmo é o começo da meditação, é estender uma ponte para a verdadeira saúde, é aceder o altar interior, o ser interior. Minha recomendação é que a gente ponha o relógio para despertar 20 minutos antes, para não tomar o tempo de nossas ocupações. Se dedicares, não o tempo que te sobra, mas esses primeiros minutos da manhã, quando estás rejuvenescido e descansado, para meditar, essa pausa vai te recarregar, porque na pausa habita o potencial da alma.
O que é para você a felicidade?
É a essência da vida. É o próprio sentido da vida. Estamos aqui para sermos felizes, não para outra coisa. Porém, felicidade não é prazer, é integridade. Quando todos os sentidos se consagram ao ser, podemos ser felizes. Somos felizes quando cremos em nós mesmos, quando confiamos em nós, quando nos empenhamos transpessoalmente a um nível que transcende o pequeno eu ou o pequeno ego. Somos felizes quando temos um sentido que vai mais além da vida cotidiana, quando não adiamos a vida, quando não nos alienamos de nós mesmos, quando estamos em paz e a salvo com a vida e com nossa consciência. Viver o Presente.
Deixamos ir-se o passado e não hipotecamos a vida às expectativas do futuro quando nos ancoramos no ser e não no ter, ou a algo ou alguém fora. Eu digo que a felicidade tem a ver com a realização, e esta com a capacidade de habitarmos a realidade. E viver em realidade é sairmos do mundo da confusão. Temos três ilusões enormes que nos confundem:
Primeiro: cremos que somos um corpo e não uma alma, quando o corpo é o instrumento da vida e se acaba com a morte.
Segundo: cremos que o sentido da vida é o prazer, porém com mais prazer não há mais felicidade, senão mais dependência... Prazer e felicidade não são o mesmo. Há que se consagrar o prazer à vida e não a vida ao prazer.
Terceiro: ilusão é o poder; desejamos o poder infinito de viver no mundo.. E do que realmente necessitamos para viver? Será de amor, por acaso?
O amor, tão trazido e tão levado, e tão caluniado, é uma força renovadora. O amor é magnífico porque cria coesão. No amor tudo está vivo, como um rio que se renova a si mesmo. No amor a gente sempre pode renovar-se, porque ordena tudo. No amor não há usurpação, não há transferência, não há medo, não há ressentimento, porque quando tu te ordenas, porque vives o amor, cada coisa ocupa o seu lugar, e então se restaura a harmonia. Agora, pela perspectiva humana, nós o assimilamos com a fraqueza, porém o amor não é fraco. Enfraquece-nos quando entendemos que alguém a quem amamos não nos ama. Há uma grande confusão na nossa cultura. Cremos que sofremos por amor, porém não é por amor, é por paixão, que é uma variação do apego. O que habitualmente chamamos de amor é uma droga. Tal qual se depende da cocaína, da maconha ou da morfina, também se depende da paixão. É uma muleta para apoiar-se, em vez de levar alguém no meu coração para libertá-lo e libertar-me. O verdadeiro amor tem uma essência fundamental que é a liberdade, e sempre conduz à liberdade. Mas às vezes nos sentimos atados a um amor. Se o amor conduz à dependência é Eros. Eros é um fósforo, e quando o acendes ele se consome rapidamente em dois minutos e já te queima o dedo. Há amores que são assim, pura chispa. Embora essa chispa possa servir para acender a lenha do verdadeiro amor. Quando a lenha está acesa, produz fogo. Esse é o amor impessoal, que produz luz e calor.
Pode nos dar algum conselho para alcançarmos o amor verdadeiro?
Somente a verdade. Confia na verdade; não tens que ser como a princesa dos sonhos do outro, não tens que ser nem mais nem menos do que és. Tens um direito sagrado, que é o direito de errar; tens outro, que é o direito de perdoar, porque o erro é teu mestre. Ama-te, sê sincero contigo mesmo e leva-te em consideração. Se tu não te queres, não vais encontrar ninguém que possa te querer. Amor produz amor. Se te amas, vais encontrar amor. Se não, vazio. Porém nunca busques migalhas, isso é indigno de ti. A chave então é amar-se a si mesmo. E ao próximo como a ti mesmo. Se não te amas a ti, não amas a Deus, nem a teu filho, porque estás apenas te apegando, estás condicionando o outro. Aceita-te como és; não podemos transformar o que não aceitamos, e a vida é uma corrente permanente de transformações.Prof. Dr. Maurício Paes Landim
Professor Adjunto de Cardiologia UFPI/UESPI
Mestre em Medicina
Doutor em Cardiologia
4 de março de 2012
Atitude
Ontem saí do curso que estou fazendo com a professora de Vedanta, Glória Ariera, com muita coisa a pensar e a refletir, tamanha a capacidade de clareza que ela tem ao discorrer sobre e os ensinamentos dos vedas sobre a vida real. Confesso que me surpreendi com a possibilidade de poder beber de uma fonte tão antiga ensinamentos que são tão presentes em nossa vida hoje.
Fiquei fazendo um paralelo com tudo que tenho aprendido.
Quando começamos a fazer um trabalho de Coaching, por exemplo, falamos em meta, falamos em competência, falamos sobre nossos valores e nossa missão. Pesquisamos nossas crenças e tentamos ser congruentes em todas as nossas facetas da vida. Ao entendermos como funcionamos, colocamos em prática essa nova maneira de pensar e observamos como isso vai acontecendo.
Se só entendermos como funcionamos e não colocarmos em prática não temos ganho algum, será um ato vazio. Se agimos sem ter a atitude da mudança também não há ganho algum, continuaremos fazendo a mesma coisa e teremos, portanto, as mesmas respostas da vida. Não adianta reclamar que a vida da gente não muda se eu não mudo minha atitude. Se tivermos a atitude e não manifestá-la em ato, também não há nada a ganhar. É inútil.
O significado das experiências que temos depende do entendimento que temos sobre nós mesmos, sobre o outro e sobre como eu me relaciono comigo e com o mundo. A mesma experiência pra mim pode ser dolorosa, carregada de sofrimento ou pode ser carregada de abertura, de expansão. Isso depende da nossa escolha.
Quando entramos nessa aventura do autoconhecimento, nos observamos e nos vemos, muitas vezes, repetindo os mesmos padrões. Tudo bem, esse é o início do processo. Precisamos de um tempo para, após o entendimento, nutrir o significado da ação.
Quando nos conhecemos melhor podemos também ter melhores escolhas. Claro que sempre temos como objetivo a satisfação, satisfazer nossos desejos, nossos anseios. Se tudo à nossa volta funciona como eu acho que deve funcionar, estão eu fico satisfeita. Mas nem sempre isso é possível. E se a minha satisfação destrói o outro, não podemos ir por esse caminho. E por quê? Porque sabemos o que é certo, porque temos a nós mesmos como padrão, ou seja, não faço ao outro o que eu não gostaria que fizesse comigo.
Maturidade emocional é quando não fazemos o que não é certo, é quando temos a capacidade de escolher não satisfazer nossos desejos em primeiro lugar, mas fazer o que é adequado. Do contrário ficaremos emocionalmente mimados, infantis. Muitas vezes enfrentamos situações onde há algo que devemos fazer, mas isso não bate com os meus valores mais internos. Há então um conflito. Cria-se uma divisão e a mente não se aprofunda, porque o contato com você mesmo é doloroso, porque neste contato você tem que lidar com a sua incoerência. Se você for congruente, a mente se tranquiliza e você fica em paz com seus valores.
O mundo não é só do jeito que a gente quer. Então como busco a satisfação? A minha felicidade não pode depender de eu organizar o mundo à minha visão, de mudar as pessoas e situações. Deve haver outra maneira de ser feliz. A única maneira eficaz é olhar o mundo por outra perspectiva. A solução que, até então, eu buscava fora, já não me serve mais. Ela precisa ser vasculhada dentro de mim mesma e isso exige um espaço na nossa mente para poder pensar diferente e esse espaço só vai existir se tivermos paz interna. Esse sim é o nosso grande e verdadeiro objetivo a ser alcançado. Para isso temos que trabalhar a auto-observação em todas as áreas de nossa vida.
Isso foi um pouco do que ouvi no curso e fiquei aqui pensando que nossa vida é algo valioso demais para ficarmos repetindo as mesmas coisas todos os dias, usando as mesmas técnicas de comportamento, as mesmas crenças limitantes que não nos fazem sair do lugar. Só posso saber disso se me auto-observo e se eu tenho a disponibilidade interna de mudar dentro de mim e ainda me colocar no mundo como uma pessoa mais refinada, mas íntegra, mais honesta, mais verdadeira.
Se, ao acabar meu dia, me olho e vejo que repeti ações inadequadas, que caí nas mesmas armadilhas emocionais, então eu tenho a escolha de mudar e tomar uma atitude que me transforme naquilo que realmente eu sou para contribuir com minha família, meus amigos, companheiros de trabalho, a humanidade e o universo. De outra maneira, seguiremos nossa vida sem alcançarmos a nossa meta maior.
26 de fevereiro de 2012
Cozinhar
Às vezes eu me aventuro na cozinha e se não surgem grandes pratos e se não me fixo no resultado, confesso que é uma atividade de muito relaxamento. A expectativa do resultado gera ansiedade e nos faz ficar fora do presente, no momento da execução de todo processo. As cores me deliciam, bem como os perfumes, texturas de todos os ingredientes. Lembro da minha admiração e encantamento quando minha mãe pediu para eu cortar um mamão pela metade e percebi alí o desenho de uma estrela! Lembro de Maria Preta quando vejo as “garrafinhas” cheias de água dentro das mixiricas e não me canso de ver aquele vermelho da beterraba e a cor da abóbora e a delicadeza das flores de brócolis. Como pode haver sabores tão diferentes em folhas verdes vindo do mesmo quintal generoso, onde minha mãe plantava e eu regava toda tarde? Ainda ouço o som do feijão na peneira de minha mãe, e o cheiro do cural que vinha do som do debulhar do milho. Eram sons que, por harmonizarem com nosso som interno, nos relaxavam.A planta com toda sua variedade é o ancestral da humanidade mais antigo e nelas provavelmente estão contidas todas as memórias do universo.
Claro que, hoje, parte do processo de cozinhar já vem pronta, mas mesmo assim, brinco na cozinha com essas cores, som, texturas contidas no alimento que dão vida a cada uma de nossas células.
Somos ligados a todos os seres humanos através dessa alimentação que vem da mesma origem, com as mesmas substâncias.
Comer é um ato divino e alquímico. Trazemos para nossas células todo nutriente que precisamos para viver e, nesse sentido, também pode ser um ato de cura, se tivermos consciência do que comemos, de quanto comemos e do por que comemos.
No livro O Caminho da prática” a autora cita T. Upanishad que diz:
“A essência de todas as coisas aqui é a Terra.
A essência da Terra é a água.
A essência da água são as plantas.
A essência das plantas é uma pessoa.”
Diz autora: “Vamos levar este texto adiante e perguntar a nós mesmos: o que é a essência de uma pessoa? Eu acho que é aquela natureza fundamental que pertence exclusivamente a nós, e que nos conecta com o universo. Estamos todos em uma busca de consciência, que é encontrada quando se cultiva a atenção – um conhecimento interno que depende totalmente de uma relação harmoniosa com a natureza. A prática alimentar restaura nossa memória cognitiva e nossa capacidade de nos curarmos das doenças físicas e das feridas emocionais. Abra seu coração para a sabedoria da Mãe Natureza, banqueteie-se em sua mesa, e você nunca passará fome.”
Hoje fiz um Bolo Indiano e deixo aqui a receita para brincarmos em nossas cozinhas.
½ kg açúcar mascavo
1 xíc. (chá) água
1 xic. (chá) leite
½ xíc. (chá) margarina
½ colher (sopa) canela em pó
½ colher (chá) noz moscada
½ colher (chá gengibre em pó
Pitada de sal
1 colher (sopa) fermento
2 colheres (sopa) farinha de linhaça
Farinha de trigo branca
1 prato fundo de nozes, maça, damasco, uva passas, linhaça, ameixa e castanhas
Coloque o açúcar mascavo numa panela, adicione água e leite e leve ao fogo até ferver. Desligue o fogo e passe a mistura para outro recipiente (peneirando) e adicione a margarina. Adicione as especiarias, farinho de linhaça e trigo para dar consistência. Misture bem e coloque o fermento. Finalize acrescentando as frutas secas e leve ao forma (45min).
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