A quantidade de tempo que as pessoas passam
no trabalho hoje faz com que elas comecem a pensar na qualidade de vida, no que
está perdendo com sua família e com sua própria vida. Sem ver saída para isso,
muitas pessoas se deprimem e vivem uma vida sem prazeres, sem usar a capacidade
que têm de criar outras possibilidades.
Li um artigo de Leonhard Widrich intitulado
“A origem das 8 horas de trabalho e porque devemos repensá-las” que achei
interessante. Encontrei ali algumas dicas.
Ele começa explicando de quem foi a idéia
de trabalharmos 8 horas por dia: “A resposta está escondida na história da
Revolução Industrial. No final do século 18, quando as empresas começaram a
maximizar seus lucros, as fábricas funcionavam sem parar, em regime 24/7. Para
tornar as coisas mais eficientes, as pessoas tinham que trabalhar mais. A norma
era que as pessoas trabalhassem entre 10 e 16 horas.
Essas
horas laborais incrivelmente longas estavam insustentáveis até que um homem
corajoso chamado Robert Owen começou uma campanha para que essas pessoas não
trabalhassem mais que 8 horas por dia. Seu slogan era: "oito horas de
trabalho, oito horas de lazer, oito horas de descanso. Não demorou muito para
que a Ford implementasse em 1914, as oito horas diárias. Para a surpresa de muitas
indústrias, isso resultou na mesma produtividade desses trabalhadores, mas em
menos horas, aumentando a margem de lucro da Ford no período de dois anos. Isso
incentivou outras companhias a adotarem um padrão de oito horas para os seus
empregados.
Ele ainda sugere que a quantidade de horas
que trabalhamos não é um fator decisivo para a sua eficiência ou produtividade
e é pouco importante na economia criativa de hoje. Ele cita o autor Tony
Schwatz que diz que o foco deve estar na sua energia e não no seu tempo e que,
como humanos, temos 4 tipos de energia para administrar todos os dias:
1.
Sua energia física - Quão saudável você está?
2.
Sua energia emocional - Você está feliz?
3.
Sua energia mental - Você está conseguindo se concentrar?
4.
Sua energia espiritual - Por que você está fazendo tudo isso? Qual o propósito?
Uma
das coisas que nós esquecemos é que, como humanos, nós somos diferentes das
máquinas. Na essência, isso significa que as máquinas funcionam de forma linear
e humanos se movem em ciclos. Para ter um dia produtivo, que respeite nossa
natureza humana, a primeira coisa a se fazer é focar nos ritmos ultradianos. O
entendimento básico é que a mente humana pode se concentrar em qualquer tarefa
por 90 a 120 minutos. Após isso, é necessário um intervalo de 20 a 30 minutos
para nós nos renovarmos e atingirmos uma boa performance para a próxima
atividade.
Ele sugere então que, ao invés de pensarmos
no que eu posso fazer em 8 horas, poderíamos pensar em o que eu posso fazer
numa sessão de 90 minutos. É preciso dividir tudo em intervalos de 90 minutos.
Isso faz com que o trabalho flua com mais concentração, pois o cérebro utiliza
um processo de 2 passos:
1 - Aumento da sensibilidade - Significa que você pode ver uma cena e pegar as informações
apresentadas. Então, você foca naquilo que precisa da sua atenção. "Como
uma foto embaçada que lentamente vai se focando", descreve Lifehacker.
2 - Seleção eficiente - Isto é o "zoom" de quando estamos realizando uma tarefa. Isso
nos permite entrar na chama de estado de fluidez.
Agora nosso trabalho começa de verdade.
E assim é necessário para transformar sua
estrutura cerebral de aprendizado para o foco:
- Parar de fazer várias tarefas para evitar
se distrair no seu ambiente de trabalho
- Eliminar as distrações mesmo quando você
só tiver apenas uma tarefa para cumprir
Ele também coloca algumas dicas para
melhorar seu dia de trabalho:
- Aumente a relevância das tarefas
> Muitos de nós ainda se esforçam para
encontrar foco, especialmente se ninguém estabeleceu um deadline.
Substituir seu sistema de atenção e criar seu próprio deadline, junto a
uma recompensa, mostrou ser uma das melhores maneiras de melhorar o desempenho
para completar as tarefas, de acordo com o pesquisador Keikuke Fukuda.
- Divida o seu dia em períodos de 90
minutos > Em vez de olhar para 8, 6 ou 10 horas de
trabalho, divida o dia e perceba que você tem quatro, cinco ou tantos períodos
de 90 minutos. Dessa forma, você terá tarefas que pode fazer todos os dias com
mais facilidade.
- Planeje seu descanso para que você
possa de fato descansar > “A pessoa que está
mais em forma não é aquela que corre a maior distância, mas a que otimizou seu
tempo de descanso", disse Tony Schwartz. Muitas vezes, nós estamos tão
ocupados planejando o nosso trabalho, que esquecemos 'como' descansar",
afirma. Planeje de antemão o que vai fazer no seu descanso. Aqui algumas
ideias: dormir, ler, meditar, lanchar.
O importante mesmo é saber que o seu
trabalho faz parte de sua vida como tantas outras coisas. E ele pode ser
prazeroso e gerar satisfação interna. Para equilibrarmos tudo isso é necessário
um profundo autoestudo para descobrir se podemos ser seres inteiros e completos
fazendo o trabalho que estamos fazendo. Através dele aprendemos coisas técnicas
e principalmente aprendemos a nos relacionar com o outro e conosco mesmo. A
todo tempo nos questionamos se sabermos colocar limites, se sabemos dizer não,
se aceitamos a diferença do outro, se
não agredimos o outro e a nós mesmos. Clareamos nossos valores internos para
checar se o que estamos fazendo bate com eles ou me afasta deles nos tornando
pessoas não confiáveis a nós mesmos, já que pensamos uma coisa e fazemos outra.
Sejam 8, 6 ou 4 horas, é
importante que possamos lembrar que não somos só o papel que representamos
profissionalmente. Temos mais papeis a desempenhar na vida. E ao desempenhar
esses papéis percebemos mais profundamente que não somos de fato esses papeis,
somos mais que tudo isso. Temos um aprendizado a viver nessa existência e não
devemos nem podemos nos perder de nós mesmos.
Dentro de mim existe um lugar onde vivo inteiramente só
e é lá que se renovam as nascentes que nunca secam.
P.Buch
e é lá que se renovam as nascentes que nunca secam.
P.Buch
27 de julho de 2013
3 de julho de 2013
Pedra Polida
Emocionante depoimento de amor à vida.
"Seja flexível, seja maleável."
Coisas que a gente descobre na beleza do envelhecer...
"Seja flexível, seja maleável."
Coisas que a gente descobre na beleza do envelhecer...
16 de junho de 2013
Casa do coração
Ir assistir um show no
Sarau do Tucum aqui em Barão Geraldo é um dos poucos programas em Campinas que
me dá muito prazer. Você entra pelo portão da casa dele que dá de frente para
árvores que exalam puro silêncio - e já estamos ouvindo a voz do Tucum
explicando, em suas palavras claras, como tudo funciona por lá. Do lado direito
fica sua casa com um quintalzinho e pés de caqui que, às vezes, ele sorteia no
fim do show (a fruta, não a árvore, of course). E no fim do gramado fica o
teatro propriamente dito, onde cabem umas
90 pessoas. Lá só tem música de boa qualidade. Nada de modismos de
péssimo gosto. Ufa! Que bom. Só coisa
boa. Também tem um pequeno barzinho onde há vinho e empanadas deliciosas.
A
Casa do Coração.
(Moacyr Luz / Roberto Didio)
Na casa do
coração
Seguindo o
corredor do coração
O Tucum é uma figura à
parte. Ninguém fica sério quando ele fala. Com uma inteligência ímpar, suas
tiradas são espontâneas e inspiradas.
Ele é um incansável batalhador pela cultura de Campinas. Seu Ponto de
Cultura deve ser o mais ativo da cidade e, quiçá, do Brasil.
Fomos lá eu, o Ed, e
nossas amigas Sandra e Maria, esta nossa vizinha. Ao olharmos tudo em torno da
casa e do local de trabalho do Tucum, ficamos imaginando como seria se
morássemos em casas e num estilo meio de comunidade. Cada um com sua pequena
casa e espaços em comum para todos. E falávamos de como não precisamos de tanta
coisa para preencher casas enormes. Não, nessa altura de nossas vidas
preferimos algo simples, onde nosso olhar descansasse na natureza, e a gente se
integrasse a ela. Onde continuaríamos com o nosso trabalho, sem a correria do
dia a dia, e com mais tempo até de ter nossa hortinha e nossos chás e temperos.
Onde o hábito de ter vizinhos cooperativos voltasse a tornar realidade.
E ficamos ali nessa
viagem, no jardim do Tucum, embaixo da árvore frondosa, tomando vinho e comendo
empanada, ao lado de um público bonito que ia chegando à espera do show.
Ah. O show. Foi com Ana Bela e um grupo de amigos que
gravou seu último CD “Pé de Vento”. É pessoal da Turma do Cupinzeiro, grupos
que preservam a tradição musical brasileira a partir de suas mais marcantes
manifestações, como o samba, o choro e outros ritmos que se perderiam no tempo
não fosse o trabalho de pessoas como essas.
Deixo aqui a letra de
uma das canções do show e do CD, cantada com tanto esmero e que veio a calhar com nossa conversa debaixo da árvore no jardim de Tucum.
(Moacyr Luz / Roberto Didio)
Tem um
viveiro aberto no quintal
Limoeiro,
cedro, bambuzal
Colméia se
formando no beiral
Cadeira de
balanço, desenho de remanso
Nas águas
do pranto do meu litoral
No quarto
do coração
Perto da
cama um maleiro marrom
Que guarda
meu acordeom
Moedas e
uma caixa de bombons
O presente
que eu tanto queria
“Alguma
Poesia” – o primeiro livro de Drummond
O antigo
aparador
Um
cinzeiro incolor, cinzas no chão
A flor da
idade se escondendo no porão
É a casa
do coração
Sabe
arejar no verão
Abro as
janelas
Pra tarde
passar de vagar
E a gente
debruçar
Saboreando
a solidão.
9 de junho de 2013
Acomodação
Você já se perguntou qual a nossa capacidade de acomodar a adversidade dentro de nós? Como eu acomodo o frio, o calor, os momentos de alegrias, os sofrimentos etc.? Não é um “aguentar”, mas um acomodar. Como eu acomodo minha vida e tudo que nela acontece dentro de mim? Para uma flor se acomodar em minha mão, a flor tem de ser menor que a mão. Tem que haver um espaço ou ela não consegue se acomodar ali.
Estamos o tempo todo
vivendo experiências agradáveis que combinam com a nossa expectativa, outras
serão desagradáveis, mas, raramente, temos uma situação perfeita. Isso é
normal, é inevitável.
Reclamamos o tempo todo:
“Ai que frio; “ai que calor”; “meu chefe tem mau humor”; “que droga de
trânsito”; “não gosto de chuva”; “não gosto de tempo seco”, etc. etc. Você tem
como mudar isso?
Se não existe nenhuma
ação a ser feita nestes casos, o ponto então é como eu acomodo todas essas
adversidades dentro de mim, porque afinal, meu coração é maior do que todas as
situações.
Se acomodamos essas
pequenas situações inevitáveis dentro de nós, sobrará mais espaço para
pensarmos em coisas maiores, para pensarmos em como estou levando a minha vida,
que coisas queremos mudar e como fazer isso?
Quem sou eu, quais são os meus valores, por que estou neste trabalho,
nesta vida? A lista de questionamento sobre nós mesmos é imensa, então porque
sobrecarregar o espaço de nossa mente com coisas que são inevitáveis?
Nós temos a escolha de
deixar essas pequenas situações inevitáveis nos afetarem. Quanto mais a gente
se irrita com um tipo de pessoa, mais poder ela ganha de tirar do meu
equilíbrio. Portanto, somos nós mesmos os responsáveis de sair do equilíbrio e
não o outro. A única maneira de acomodar essa pessoa internamente é dando o
direito dela ser como ela é. Mas insistimos em querer mudar as pessoas, mudar
as situações que são inevitáveis. Como posso querer que a temperatura do dia
seja a que eu espero? Como querer que o meu chefe seja dessa maneira e não
daquela? Essa é uma armadilha para que a gente não olhe para o foco que está
dentro de nós mesmos. Eu dou o direito do outro ser como ele é e esqueço. Não
fico pensando que ele podia ser diferente etc. Eu acomodo essa situação dentro
de mim.
Tudo que pensamos e
sentimos ficam dependurados na nossa mente. A fofoca é também algo que fica lá
e vai aumentando à medida que outras pessoas vão validando aquilo que você diz.
Às vezes as pessoas se justificam dizendo que estão falando de uma outra pessoa
para desabafar. Ora, desabafar seria então se libertar daquele sentimento asfixiante
que a mente carrega. Na verdade essa é uma desculpa bonitinha que arrumamos
para justificar tal atitude. Ao fazer a fofoca, ao falar do outro a gente quer
mesmo que o ouvinte nos valide. E ao ser validado, o sentimento aumenta e não
nos livramos dele.
Não existe um coração que acomoda todas as
pessoas, o que existe é “eu acomodo essa pessoa que eu já sei que me irrita.”
Então eu acomodo essa pessoa que eu sei que me irrita. Na hora que ela faz algo
que me irrita, nesse momento eu dou o direito de ser quem ela é, e deixo a
situação de lado. Assim, a cada situação difícil que me incomoda, arrumamos um
espaço dentro de nós para não nos sentirmos incomodados por essas adversidades,
pois são inevitáveis.
O nosso intelecto,
aquele que pensa, raciocina e tem lógica é o que ilumina a mente agitada e as
emoções. E quem ilumina nosso intelecto é a consciência. Podemos usar todos
esses instrumentos porque todos nós fomos abençoados com eles.
(Alguns trechos e ideias desse texto foram
inspirados nas palestras de Gloria Arieira)
Se a gente cresce com os golpes duros da vida,
também pode crescer com os toques suaves na
alma.
Nada faz sentido neste mundo se não tocamos o
coração de uma pessoa
(Dalai Lama).
2 de junho de 2013
Aprendendo
Foi lá na Casa
Siloé, em Vinhedo, que conheci Mariana. E todos que participaram do retiro de
Yoga se encantaram com a pequena de 5 anos de idade, filha da suave Lisiane.
Fazia tempo que não encontrava uma criança que não fosse estressada, pensei até que não existisse mais.
Ela andava e corria como uma fadinha por todo jardim segurando sua boneca Lili e corria com tanta leveza, pois tinha a total certeza de que sua mãe estaria alí olhando por ela caso ela precisasse. E por isso ela podia ir e vir com confiança. Um dia ela quis ficar comigo no meu quarto e lá ela me contou histórias enquanto desenhava num papel, o que me levou ao meu tempo de criança. E eu ensinei a ela como se fazia um barquinho de papel... Ela participava de todos as práticas de Yoga e com suavidade se recusava a fazer qualquer coisa que não quisesse.
Fazia tempo que não encontrava uma criança que não fosse estressada, pensei até que não existisse mais.
Ela andava e corria como uma fadinha por todo jardim segurando sua boneca Lili e corria com tanta leveza, pois tinha a total certeza de que sua mãe estaria alí olhando por ela caso ela precisasse. E por isso ela podia ir e vir com confiança. Um dia ela quis ficar comigo no meu quarto e lá ela me contou histórias enquanto desenhava num papel, o que me levou ao meu tempo de criança. E eu ensinei a ela como se fazia um barquinho de papel... Ela participava de todos as práticas de Yoga e com suavidade se recusava a fazer qualquer coisa que não quisesse.
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Na posição "Savasana" |
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Na posição "Adho Mukha Savanasana" |
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Preferindo observar a fazer o "Utkatasana" |
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Descobrindo sua própria postura |
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Na posição do Sapo |
E essa é uma imagem doce entre outras que guardo de tantas coisas que vivenciei nesse final de semana num retiro cujo tema foi “Como encontrar o equilíbrio e viver em paz num mundo repleto de adversidade.” Vivemos hoje em dia sempre com a sensação de falta, de que se precisa reorganizar alguma coisa. Mesmo tendo tido tantas conquistas de seguranças, de prazeres momentâneos, há algo errado, algo inadequado e, com isso, vem também o desejo de mudanças, de ser diferente, de algo que me transforme e me faça sentir completa, pois mesmo tendo tudo, nada nos completa.
Nessa insatisfação, vamos tentando organizar o mundo a nossa volta para estar bem. Julgamos as pessoas e a nós mesmos. Tentamos mudar as pessoas para estar bem. Com isso, além de gastarmos uma energia grande (porque é impossível organizar o mundo), surge a frustração dos acontecimentos e do fato de as pessoas não serem como gostaríamos que elas fossem. Sem contar que ocupamos um grande espaço em nossa mente que deveríamos usar para outras finalidades. E entendemos que não adianta mudar nada no externo, pois a causa da insatisfação está em nós mesmos. E somente as mudanças internas podem nos ajudar.
É a compreensão disso que nos proporciona um amadurecimento emocional, ou seja, é ter a capacidade de reconhecer que o problema está fundamentalmente em nós mesmos, que a raiz da insatisfação está dentro de nós mesmos. Assim, qualquer estímulo que a outra pessoa, ou o mundo aciona, mexe na nossa insatisfação. Ou entendemos que a condição que temos é momentânea, ou vamos nos sentir vítimas.
Assim temos que criar situações internas para devolver ao mundo ações externas mais produtivas para nós mesmos. O mundo não vai mudar só para que cada um se sinta mais confortável. O esforço é no sentido de reconhecer que o trabalho não é externo. É interno. E esse trabalho é reconhecer que somos seres completos, plenos, independente de qualquer situação. Esse trabalho não é fazer coisas para sermos felizes, mas fazer coisas para ver, para nos vermos, nos reconhecermos e reconhecermos que, na nossa essência, já somos felizes.
E foi fácil ver isso na pequena Mariana que corria com leveza e se encantava com os macaquinhos, com o riozinho, com as flores de cores diferentes, nos mostrando que ela fazia parte de tudo aquilo numa integração com a natureza tão harmoniosa que me inspirou e me fez pensar que eu também posso ser um pouco dessa Mariana.
28 de abril de 2013
Buscas
Muito comum hoje em dia
discutirmos sobre o objetivo - o nosso objetivo, aquele que reflete o que
queremos para nós. Onde estou? O que estou buscando? Onde quero chegar? Todo
processo de coaching se baseia nessas perguntas. O que difere uma pessoa da
outra é essa análise do objetivo da vida. Na verdade, viver é o objetivo. Todo
mundo vive o dia a dia, mas, mais do que viver esse dia a dia é viver como eu
quero e dentro das condições que a vida apresenta para mim.
Até mesmo no mundo
corporativo essas perguntas são formuladas para se conseguir melhores
resultados. Se não soubermos responder essas perguntas sobre nós mesmos,
dificilmente conseguiremos aplicá-las nas diferentes áreas de nossas vidas.
Ouvindo o CD de Glória
Ariera (professora de Vedanta), de onde tiro alguns trechos, fui entendendo
como esses objetivos mudam com o tempo ou dependendo das experiências que vamos
tendo.
Num certo momento, e em
grande parte de nossa vida, nosso objetivo é a pela segurança. Buscamos então
uma casa, um emprego, uma situação onde possamos relaxar e nos sentirmos
seguros. Quando alcançamos isso, nosso objetivo é então a busca pelo prazer,
porque só conseguimos buscar o prazer quando estamos seguros.
E aí, pronto. Já me
sinto realizada, e não quero mais nada, certo? Algumas pessoas param por aí,
sim, e fica sendo esse o foco de suas vidas: a segurança e o prazer. E como
fazer para conseguir isso? Muitas vezes não há nem esse questionamento. Outras
vezes a resposta é: “Não importa, eu quero a segurança e o prazer e vou fazer o
meu máximo para conseguir isso sem pestanejar”.
Vemos hoje muito
claramente no mundo corporativo pessoas trabalhando mais de 8 horas por dia,
nos finais de semana, sem tempo sequer para se questionar sobre elas mesmas. E
no pouco tempo que resta fora do trabalho, elas ainda atendem a celulares e
respondem e-mails relacionados ao trabalho que não acaba nunca, pois mesmo se
entregando totalmente, nunca estão em dia com ele. O que gera uma grande
frustação. Mas isso não importa. O importante é ter segurança e prazer. E está
tudo muito bem, muito bom. Lutamos hoje em dia por segurança e prazer e muitas
pessoas de fato conseguem esse objetivo. Que bom. É mesmo muito importante se
sentir segura e sentir prazer. Isso nos dá um relaxamento interno para viver
uma vida mais confortável.
Mas chega um momento que
começamos a questionar: “Como é que estou conquistando essa segurança e esse
prazer? Os meios que uso para chegar lá são adequados? Estou respeitando as
outras pessoas? Estou me arrependendo do que estou fazendo? É adequado e
transparente a maneira como estou conquistando essa segurança e prazer? Consigo
isso sem pisar no outro, sem passar por cima de meus próprios valores? Consigo
fazer as coisas com clareza, sem confusão?
É esse questionamento
que nos leva ao amadurecimento emocional que é, também, um dos jargões mais
utilizados no mundo corporativo. Às vezes podemos ver nas qualificações
solicitadas para uma vaga esse item: maturidade emocional. Mas afinal o que
seria essa maturidade? Maturidade emocional é a capacidade de segurar certos
desejos em nome de algo maior do que o comando sobre mim mesma. E é a coerência
na minha própria vida, no sentido de ter claro os valores universais. É essa
coerência que vou usar quando analisar a minha vida, minhas ações e também a
vida do outro. A maturidade emocional me capacita a olhar a situação de um modo
abrangente onde eu faço parte. Se eu faço parte, qualquer coisa que acontece no
todo me atinge. A alegria do grupo do qual faço parte, seja familiar, de
trabalho, de amigos, de bairro, da cidade, do país me atinge. A dor do grupo
também dói em mim.
E quando não conseguimos
deixar de pensar nisso, de avaliar e questionar, é porque nossa maturidade
emocional está se estabelecendo. Eu posso fazer coisas para me distrair deste
desconforto de ter que pensar sobre isso, mas quando estiver comigo mesma,
essas questões vão aparecer. E novas perguntas começam a surgir: estou agindo
certo? Como posso agir melhor? Estou, através de minha necessidade de manter a
segurança e o prazer, afetando a vida do outro de maneira negativa?
A minha busca única a
qualquer preço por segurança e prazer começa a ser questionada e parece não ser
mais suficiente para mim. E assim começo a pensar em outras direções. O mais
importante agora é buscar uma forma coerente e transparente de viver para que
eu me sinta confortável comigo mesma e que eu possa ter um relaxamento e
assinar todos os meus atos. E aí sim estarei cumprindo meu papel e contribuindo
para a sociedade. Nosso olhar então sai do próprio umbigo e se amplia para a
sociedade. Assim, pensamos como podemos contribuir para que o grupo possa viver
em harmonia, pois quando esse grupo está em paz, eu, que faço parte desse
grupo, também estou em paz. Com certeza, o que esperamos das pessoas, elas
também esperam de nós – a verdade, a compaixão, a sinceridade, a não violência
etc.
Quando atingimos essa
maturidade, temos que deixar de fazer coisas em que não acreditamos mais, para
haver uma transformação realmente profunda. Deixamos o que não nos serve mais,
abrindo espaços para novas crenças sobre mim mesma, sobre o outro e sobre o
universo. O processo não é rápido. Temos de abandonar velhos conceitos, velhos
hábitos e criar outros, e isso leva um tempinho. Por isso a necessidade de se
questionar e de se conhecer usando, se preciso for, as ferramentas que temos
hoje em dia como terapia, Yoga, coaching, grupos de estudos, conversas
teraupêuticas, Satsangas e até mesmo certas religiões. Tudo isso são mapas que
nos indicam um lugar um pouco mais alto da montanha. Podemos escolher qualquer
um desses mapas ou tentar desenhar nosso próprio mapa.
O importante é saber que
mudamos algo em nossas vidas não pelo “faça isso, não faça aquilo”. Não é no
nível de uma ação que mudamos, mas sim no entendimento de que uma maneira mais
sábia de fazer gera uma expansão. Então, quando a gente vê que algo é inútil,
deixamos de lado. Respeitar as leis universais gera mais ganho e quando eu
entendo isso, eu me modifico. É inútil dizer “não fale mentira, diga somente a
verdade”.
Entender o que eu perco
quando não falo a verdade é o ponto da mudança. A perda é que criamos duas
pessoas dentro de nós, uma que pensa e outra que age diferente do que você
pensou. Isso vai esgarçando sua identidade, você se perde de você mesmo e vai
se tornando uma outra pessoa não confiável para os outros e para você mesma. Se
eu sou coerente comigo mesmo no modo de pensar e no modo de agir, vou tendo uma
valorização de mim mesma e, assim, acontece um relaxamento dessa coerência,
dessa visão de quem eu sou. Não existe ganho maior do que o auto-respeito, a
valorização de você mesma. Então a mudança só é sólida quando ela acontece a
partir de um entendimento daquilo que tem valor e daquilo que não tem valor. E
aí eu abandono o que não tem valor.
Assim, não tem nada de
errado em trabalhar para segurança e prazer. Eu quero isso e então eu vou
atrás. Mas com essa expansão de saber que não sou um só no universo, mas que
pertenço a ele, percebo que o meu desejo maior, mais do que possuir coisas, o
que eu realmente desejo é estar confortável comigo mesmo. Eu desejo a paz. A
paz que eu já sou.
9 de fevereiro de 2013
Comunicação
Daí fui comprar um Ipad.
Quero usá-lo nas minhas aulas. Fui à loja da Apple no Iguatemi, pois queria
saber tudo o que ele poderia fazer e se iria mesmo me ajudar em minhas aulas. O
atendente estava ocupado e dois garotos estavam nos únicos dois aparelhos que
funcionavam no mostruário, o que me impossibilitava ter um primeiro contato com
essas maquininhas. Como os garotos não desgrudavam deles, pedi para dar uma
olhadinha. “Claro, claro”, disse um deles. E eu então comecei a tatear aquele
novo mistério. Eu fazia algumas perguntas ao Ed e como ele também não sabia, o
garoto começou a responder e com tal desenvoltura que esqueci do atendente. De
repente olhei para aquele garotinho e disse, “By the way, você trabalha aqui?”
O que ele respondeu prontamente: “Não, mas é o meu sonho”. Olhei novamente para
ele, pensando que talvez tivesse uns 12 anos e tinha, com essa idade, um sonho
a meu ver, um tanto estranho, mas que poderia se tornar realidade naquela hora
mesmo, tamanho seu entusiasmo. Comprei o aparelho. Sim, se eu tivesse ainda
alguma dúvida se deveria adquiri-lo ou não, naquele momento descobri que estava
totalmente convencida que não poderia mais viver sem um aparelhinho daquele.
Não faz muito tempo eu usava um minigravador de fitas cassetes onde, toda noite, tinha de botar no ponto as as fitas para dar aula a cada aluno do dia seguinte. Saía para a aula com minha bolsa cheia de fitas cassetes. Quando o gravador quebrou há uns 3 anos, fiquei desesperada e sai para comprar um novo. Levei o meu porque queria comprar um igualzinho. Fui em todas as lojas de Campinas, procurei pela Internet e nada. Não queria desistir e fui a uma última loja. Mostrei o gravador para o vendedor da loja que deveria ter uns 22 anos. Ele pegou meu gravador, olhou, olhou, virou e perguntou: “O que e isso?”. “Deixa pra lá”, respondi, peguei aquele “museu” e voltei pra casa não sabendo o que fazer.
Mas acabei encontrando outro gravador, não aqui, mas em Buenos Aires, numa noite, quando passeávamos pela Calle Florida. Usei-o mais um ou dois anos e depois descobri que eu poderia botar todas as minhas fitas cassetes num celular e dar aulas com ele. E não é que funcionou? Adorei. Não precisa mais botar as fitas no ponto para as aulas do dia seguinte. E ficava imaginando como que tudo aquilo podia estar dentro de um celular, ao mesmo tempo em que me lembrava que, quando trabalhei na 3M, o computador de lá era mais ou menos do tamanho de meu apartamento. E que eu já achava o máximo aqueles primeiro PCs de tela verde.
Como o som do celular não era lá muito bom, resolvi comprar o tal do iPad. Dizem que esse aparelho é muito “intuitivo”... e é mesmo, pois tenho descoberto muitas outras coisas. O mais sensacional foi saber que todas as informações poderiam ser guardadas nas “nuvens”. Nas nuvens? O meu medo agora é saber se essas nuvens estarão sempre lá ou se elas se transformarão em chuva e eu posso perder tudo o que uso nas aulas... Bom, uma coisa boa é que não preciso mais ensinar para meus alunos o que a palavra “cloud” significa. Todos já sabem, principalmente os mais novos.
E por aí vai... São histórias e mais histórias que se misturam trazendo o passado e me levando a pensar como será então o futuro, com toda essa tecnologia e como lidamos com tudo isso, no presente, dentro de nós.
Estava, dias desses, perdida nesses pensamentos quando um aluno chegou à aula com uma camiseta onde estava escrito uma frase tirada, talvez, da música dos Titãs: “E você tem fome do quê?” Eu fiquei pensando nessa pergunta que me impulsionava a pensar no computador do tamanho de meu apartamento e no toca fitas e no PC de tela verde e no celular e no Ipad e em todas as facilidades de comunicação. Sim, porque todos os avanços tecnológicos nos garantem novos meios de comunicação, mas não nos dão garantia alguma de uma comunicação de qualidade.
Para conseguir isso temos de trilhar caminhos mais sutis. Não, não precisamos subir às nuvens para isso. O caminho é para dentro de nós mesmos a fim de nos conhecermos mais; de saber como lidamos com nossas frustrações, nossos quereres, nossos prazeres; em que momento a raiva, a paixão e o amor são deflagrados para que a minha comunicação saia sem ruídos emocionais; para que eu ouça aquilo que eu falo; para que não agrida ninguém com a desculpa de estabelecer verdades.
Não faz muito tempo eu usava um minigravador de fitas cassetes onde, toda noite, tinha de botar no ponto as as fitas para dar aula a cada aluno do dia seguinte. Saía para a aula com minha bolsa cheia de fitas cassetes. Quando o gravador quebrou há uns 3 anos, fiquei desesperada e sai para comprar um novo. Levei o meu porque queria comprar um igualzinho. Fui em todas as lojas de Campinas, procurei pela Internet e nada. Não queria desistir e fui a uma última loja. Mostrei o gravador para o vendedor da loja que deveria ter uns 22 anos. Ele pegou meu gravador, olhou, olhou, virou e perguntou: “O que e isso?”. “Deixa pra lá”, respondi, peguei aquele “museu” e voltei pra casa não sabendo o que fazer.
Mas acabei encontrando outro gravador, não aqui, mas em Buenos Aires, numa noite, quando passeávamos pela Calle Florida. Usei-o mais um ou dois anos e depois descobri que eu poderia botar todas as minhas fitas cassetes num celular e dar aulas com ele. E não é que funcionou? Adorei. Não precisa mais botar as fitas no ponto para as aulas do dia seguinte. E ficava imaginando como que tudo aquilo podia estar dentro de um celular, ao mesmo tempo em que me lembrava que, quando trabalhei na 3M, o computador de lá era mais ou menos do tamanho de meu apartamento. E que eu já achava o máximo aqueles primeiro PCs de tela verde.
Como o som do celular não era lá muito bom, resolvi comprar o tal do iPad. Dizem que esse aparelho é muito “intuitivo”... e é mesmo, pois tenho descoberto muitas outras coisas. O mais sensacional foi saber que todas as informações poderiam ser guardadas nas “nuvens”. Nas nuvens? O meu medo agora é saber se essas nuvens estarão sempre lá ou se elas se transformarão em chuva e eu posso perder tudo o que uso nas aulas... Bom, uma coisa boa é que não preciso mais ensinar para meus alunos o que a palavra “cloud” significa. Todos já sabem, principalmente os mais novos.
E por aí vai... São histórias e mais histórias que se misturam trazendo o passado e me levando a pensar como será então o futuro, com toda essa tecnologia e como lidamos com tudo isso, no presente, dentro de nós.
Estava, dias desses, perdida nesses pensamentos quando um aluno chegou à aula com uma camiseta onde estava escrito uma frase tirada, talvez, da música dos Titãs: “E você tem fome do quê?” Eu fiquei pensando nessa pergunta que me impulsionava a pensar no computador do tamanho de meu apartamento e no toca fitas e no PC de tela verde e no celular e no Ipad e em todas as facilidades de comunicação. Sim, porque todos os avanços tecnológicos nos garantem novos meios de comunicação, mas não nos dão garantia alguma de uma comunicação de qualidade.
Para conseguir isso temos de trilhar caminhos mais sutis. Não, não precisamos subir às nuvens para isso. O caminho é para dentro de nós mesmos a fim de nos conhecermos mais; de saber como lidamos com nossas frustrações, nossos quereres, nossos prazeres; em que momento a raiva, a paixão e o amor são deflagrados para que a minha comunicação saia sem ruídos emocionais; para que eu ouça aquilo que eu falo; para que não agrida ninguém com a desculpa de estabelecer verdades.
Ao contrário
da busca de coisas que valham a pena ter,
a busca de
coisas que valham a pena ser,
geralmente
exige longos períodos de solidão.
(Meyer
Fridman)
13 de janeiro de 2013
Tempo de aniversário
O tempo passa e os
eventos vão nos preenchendo de um jeito ou do outro. Começa janeiro e no dia 19
eu já me “desfaço” de mais um ano. Ao contrário de muitas pessoas, eu acho o
dia de aniversário cada vez mais alegre e já não tenho aquele medo de que as
pessoas não se lembrem dele. A vida lembra, sempre lembra, todos os dias, todos
os momentos que cada dia é uma outra possibilidade de se desfazer do que foi e
de se maravilhar com o que está vindo. O dia de meu aniversário me faz lembrar
o primeiro dia que, ao inspirar pela primeira vez, eu me colocava neste planeta
para experimentar, compreender e despertar. Acho que foi por isso que sempre
tive tanta curiosidade em saber como tudo funciona fora e dentro de mim e qual
a ligação entre tudo e o porquê de tanta fascinação quando consigo ver lampejos
de mim mesma em momentos raros.
Já passei meu
aniversário em muitos lugares diferentes. Na praia de Mucogê, em Trancoso na
Bahia com minha amiga Meire; em casa com família; com amigos; com a notícia da
morte de Elis Regina; sozinha; em Londres com a querida Christine, em cuja casa
eu morei por um ano; em bares com amigos; só com o Ed no nosso terracinho
encantado; trabalhando num dia normal; nas montanhas; no hospital com meu pai;
na comunidade de Nazaré com bolos deliciosos da Paula e oferendas dos hóspedes
em minha porta.
Mas é nessa época que
aproveito também para me desfazer de coisas que não preciso mais, limpando e
desobstruindo gavetas externas e internas. E celebro cada detalhe que vai
aparecendo neste dia como um presente.
Também nas agendas fui
recordando momentos importantes anotados ali, quando conheci o Ed, quando
compramos nosso apartamento, idas a hospitais, nossas viagens inesquecíveis,
aniversários de amigos (antes de facebook), quando dei aula em uma firma ou
outra, eleição de presidente e prefeito, primeiro dia de escola de meu
sobrinho, mais alunos, menos alunos, encontros com amigos em happy hour,
menopausa, shows em São Paulo, morte de meu pai, aulas de Yoga, cursos e mais
cursos, pintura de apartamento, visitas a Nazaré e amigos que moram por perto,
aposentadoria, aniversário de 90 anos de minha mãe, sobrinha neta que nasceu...
e por aí vai. E por aí vai continuar. As experiências são muitas e todas elas
causam um grande impacto interno.
Essas mesmas agendas e o
“desfazer de anos” me fizeram girar pelo tempo tão relativo que é passado e
está presente. Qual seria a sua idade se
você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio)
Tempo Rei! Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai as velhas formas do viver.
Ensinai-me oh Pai, o que
eu ainda não sei
(Gilberto Gil)
10 de janeiro de 2013
Ritmo
Férias, aquelas em que a
gente não viaja para os lugares lotados, cheio de turistas, congestionamento de
carros, filas em padarias, som alto nos carros de pessoas que nem se importam
com as outras, são bem mais prazerosas. Férias que você fica em casa e se
envolve com a rotina diária, mas sem compromissos com horários e atrasos,
fazendo um ritmo próprio mais harmônico trazem um grande bem-estar, físico e
mental.
Hoje por exemplo,
escolhi andar nas ruas do Cambuí antes mesmo das lojas abrirem. Sem carro, por
favor, saí de casa a pé e fui me embrenhando por ruazinhas calmas e observando
as casas que ainda resistem às invasões das imobiliárias ávidas por um pedaço
de terra onde possam construir um prédio enorme com apartamentos minúsculos.
Ah, mas tem o tão propagandeado espaço “gourmet”, como se isso nos devolvesse
aquele quintalzinho que apanhávamos um chá ou uma fruta para o café da manhã,
ou onde pudéssemos aguar a planta com o regador num momento de profunda
meditação.
Fui andando, pensando essas coisas e lembrando de minha infância e do quintal de casa que parecia enorme, pois lá cabiam todos os meus sonhos e toda minha criatividade e, por isso, nem precisava de brinquedos, pois esse quintal me dava todos que eu queria.
Que longa distância do meu quintal com o tal espaço “gourmet”. Mas o Cambuí tem espaços incríveis que a gente só descobre se for caminhando. Na volta pra casa subo minha rua que mais parece um tobogã de 3 lances. Ufa, com uma rua dessa nem é preciso ir a academia.
Outra coisa boas desse tipo de férias é cozinhar sua comida com arte, ou ir à feira de rua mais próxima de sua casa e encontrar legumes frescos e saudáveis, sem aquela cor artificial de supermercados. Ou então ir à Botica Silvestre e ter uma ótima conversa com a atendente; ler livros que estavam te esperando; fazer seus exercícios de yoga sem pensar no relógio; ter tempo para conversar com sua amiga lá pelas três da tarde tomando um suco de laranja; ir ao cinema à tarde e assistir a um filme que não tem “fast-imagens” e nem sons de tiros, nem violência, como o filme “A Filha do Pai” que é bem tocante e você se delicia nas imagens calmas e significativas.
Essa liberdade de ação no tempo é a melhor sensação que este tipo de férias traz. Voltar a trabalhar não é ruim. Já faz muito tempo que não tenho essa divisão entre trabalho e vida particular. Não tenho aquela nostalgia de domingo à noite e segunda de manhã. Consigo encontrar prazer em ambas as situações. Na verdade não separo as duas, integro-as.
O ponto é que, nas férias, você fica livre de horários e você consegue fazer um ritmo mais orgânico, mas integrado com o seu corpo. Você presta mais atenção em suas sensações, emoções e pensamentos. Você tem tempo para prestar mais atenção a tudo que está à sua volta. É um estar aqui e não ter nada de errado em não se fazer nada e não há nada de errado em fazer qualquer coisa, seja lá o que for. É como se nos libertássemos dos “devo” e dos “não devo”. Cultivamos a capacidade de nos maravilhar.
O ritmo é algo que acabamos perdendo em nosso dia a dia, ou até criamos um outro ritmo mais intenso sem muitas paradas para observar os detalhes. Mas é nos detalhes que está a brisa que refresca nossa mente, que acalenta nossa alma e nos faz lembrar de nossa humanidade.
Fui andando, pensando essas coisas e lembrando de minha infância e do quintal de casa que parecia enorme, pois lá cabiam todos os meus sonhos e toda minha criatividade e, por isso, nem precisava de brinquedos, pois esse quintal me dava todos que eu queria.
Que longa distância do meu quintal com o tal espaço “gourmet”. Mas o Cambuí tem espaços incríveis que a gente só descobre se for caminhando. Na volta pra casa subo minha rua que mais parece um tobogã de 3 lances. Ufa, com uma rua dessa nem é preciso ir a academia.
Outra coisa boas desse tipo de férias é cozinhar sua comida com arte, ou ir à feira de rua mais próxima de sua casa e encontrar legumes frescos e saudáveis, sem aquela cor artificial de supermercados. Ou então ir à Botica Silvestre e ter uma ótima conversa com a atendente; ler livros que estavam te esperando; fazer seus exercícios de yoga sem pensar no relógio; ter tempo para conversar com sua amiga lá pelas três da tarde tomando um suco de laranja; ir ao cinema à tarde e assistir a um filme que não tem “fast-imagens” e nem sons de tiros, nem violência, como o filme “A Filha do Pai” que é bem tocante e você se delicia nas imagens calmas e significativas.
Essa liberdade de ação no tempo é a melhor sensação que este tipo de férias traz. Voltar a trabalhar não é ruim. Já faz muito tempo que não tenho essa divisão entre trabalho e vida particular. Não tenho aquela nostalgia de domingo à noite e segunda de manhã. Consigo encontrar prazer em ambas as situações. Na verdade não separo as duas, integro-as.
O ponto é que, nas férias, você fica livre de horários e você consegue fazer um ritmo mais orgânico, mas integrado com o seu corpo. Você presta mais atenção em suas sensações, emoções e pensamentos. Você tem tempo para prestar mais atenção a tudo que está à sua volta. É um estar aqui e não ter nada de errado em não se fazer nada e não há nada de errado em fazer qualquer coisa, seja lá o que for. É como se nos libertássemos dos “devo” e dos “não devo”. Cultivamos a capacidade de nos maravilhar.
O ritmo é algo que acabamos perdendo em nosso dia a dia, ou até criamos um outro ritmo mais intenso sem muitas paradas para observar os detalhes. Mas é nos detalhes que está a brisa que refresca nossa mente, que acalenta nossa alma e nos faz lembrar de nossa humanidade.
“Só há duas formas de viver a vida:
Uma é como se nada fosse um milagre
A outra é como se tudo fosse um milagre .”
Albert Einstein
22 de dezembro de 2012
Feliz Ano Novo
Como vimos, o mundo não
acabou. Desde os anos 70 ouço falar que o mundo vai acabar em alguma data.
Espalha-se o medo. Lembro-me quando morei na comunidade de Nazaré: muitas
pessoas querendo ficar lá nos 3 dias de escuridão que aconteceriam antes do fim
do mundo. Nosso papel ali era retirar o medo, renovar a fé e esperança no
Criador e mudar o foco para a luz.
Podemos, se quisermos,
sair desse paradigma velho de destruição, virar o olhar para o que está
surgindo de novo no mundo através de pessoas em todas as áreas - na ecologia,
na conscientização do consumo, na reutilização dos bens, no querer se conhecer,
principalmente em momentos de estresse, nos professores especiais de artes, de
filosofia, nos professores especiais de crianças e adultos, na conscientização
do que comemos e para que comemos, do que falamos e do que escutamos, na
vontade de acertar e de respirar, no desejo e disciplina com relação à ética,
no trabalho incessante pela paz interna e mundial, no trabalho de humanização
das empresas para que elas sejam integradas à sociedade prestando serviços de
qualidade.
Há muito sendo feito no mundo para que ele se transforme e cabe a
nós escolhermos direcionar a nossa mente para esse novo que se vislumbra, que
não separa, que integra, que respira num mesmo ritmo. E isso só é possível a
partir de um ponto dentro de nós. É dentro de nós que nasce a centelha de vida
que podemos manifestar no mundo, é lá que moram todas as possibilidades.
É assim que quero
começar esse ano: depositando ainda mais minha certeza de que tudo está sob uma
ordem cósmica inteligente.
Esse vídeo traz uma música tão linda que me emocionou e, por isso, coloco aqui para finalizar o ano com um momento que eleva nosso espírito.
Também deixo uma dica de um CD que traz uma delicadeza suave e bela com as músicas dos Beatles tocadas por instrumentos feitos por um dos integrantes do grupo que sabe como ninguém trazer o que há de sublime para embelezar o mundo. - Uakti - Beatles
Também deixo uma dica de um CD que traz uma delicadeza suave e bela com as músicas dos Beatles tocadas por instrumentos feitos por um dos integrantes do grupo que sabe como ninguém trazer o que há de sublime para embelezar o mundo. - Uakti - Beatles
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