Por exemplo: no Yoga temos a permanência num exercício e nem sempre é fácil permanecermos em uma posição que não seja confortável. Assim como na vida, temos momentos que não conseguimos nos equilibrar naquela situação, queremos fugir, queremos desviar, mas a única solução é a permanência. Mesmo sabendo que não é pra sempre. No Yoga, o praticante deve se centrar entre seu corpo e sua mente, pois é aí que encontramos a nossa força de vontade. Assim também acontece nessas situações diárias em que a única opção é a permanência. Vamos praticando de acordo com nossa capacidade, mas vamos tentando expandir um pouco mais.
Falando
de uma outra coisa: E lá vem o frio
novamente - como escrevi o ano passado, o frio é algo desafiante pra mim. Ok,
ok, já melhorei bastante. Tento não reclamar (isso parece um vício). Tento
entender que assim como em toda natureza, há momentos de recolhimento, como se
toda a natureza nesse lugar se recolhesse, para se aprofundar. Tento entrar
nesse clima de recolhimento, de olhar mais pra dentro de mim e pra dentro das
coisas que vão acontecendo. Presto mais atenção em minhas articulações que
ficam mais duras, minha alergia teima em (re)aparecer e a pressão do meu ouvido
me faz ficar mais quieta também. Tento então ficar mais atenta para outras
belezas.

Não,
não esqueci dos ipês que estão começando a dar o ar de da graça. Embelezam o
dia e as ruas por onde eu dirijo. E lá vou eu permanecendo neste encantamento
mesmo dirigindo. Também tem o banho quente antes de dormir. Meu corpo relaxa,
alivia os músculos parados.
Às
vezes, o sol aparece só pra dizer que nada é pra sempre, que os ciclos mudam
sempre. Pensar nisso acalma minha mente e posso ficar na permanência deste
“asana” (postura no Yoga) com mais consciência.
Bom, estou então aprendendo que, na vida, às
vezes temos que viver alguma situação por um determinado tempo e não dá para
fugir - e temos que nos concentrar e fazer o melhor que pudermos, sempre
expandindo um pouco mais. Mas vejo também que mesmo nesses períodos de
permanência, onde adquirimos força, há uma “impermanência” de tudo, pois tudo é
transitório. O meu corpo, as minhas verdades, o meu ego, as minhas emoções –
tudo é transitório. E isso me leva sempre àquela pergunta:
“Então o que é
eterno em mim?”
Mas isso já é assunto para outro blog...