Dentro de mim existe um lugar onde vivo inteiramente só
e é lá que se renovam as nascentes que nunca secam.
P.Buch

7 de maio de 2012

Mães


Irene
E o Dia das Mães sempre se confunde com o dia do aniversário da minha mãe, que faz no dia 12/05. Já celebramos o aniversário neste último domingo, pois fazer 90 anos não é pra qualquer um não.

No seu caminhar lento me lembro do quanto ela caminhou para nos proteger, nos alimentar, nos garantir estrutura emocional. Nós, quero dizer, filhos, parentes, vizinhos, amigos, o pedinte, o entregador de gás, o lixeiro, qualquer pessoa que batesse à sua porta, ela ouvia a história, e dava um jeito de dar alguma coisa. Agora, naquele corpo mais frágil, percebo o ensinamento de que não somos só o nosso corpo físico. Somos muito mais que isso. Somos essa energia que almeja sempre ir para cima, como toda a vegetação que vai em direção ao sol. Essa é a nossa essência, essa força que sempre caminha em direção à Luz, independente da história que vivemos aqui, da história que precisamos viver aqui.

Minha mãe colocou toda sua energia amorosa no arrumar e limpar a casa, no cozinhar com tanta tranquilidade, quase uma meditação, em frente ao velho fogão Dako, da minha idade, que ela não troca por nada nesse mundo.

Quando eu era pequena, me pegava admirada com uma tacinha de cural que eu comia. É que não entendia muito bem como é que minha mãe fazia aquela mágica. Ela capinava todo o quintal de casa. Fazia buraquinhos na terra e eu jogava uns grãozinhos de milho lá nos buraquinhos. Depois fechávamos os buraquinhos e toda a tarde a gente regava aquela terra com regador. De repente começavam a brotar dali umas plantinhas verdes e quando cresciam, minha mãe tirava uns cachos e desembrulhava-os e o milagre estava lá: milhares de milhos iguais aqueles que eu tinha colocado no buraquinho. Minha mãe transformava aquilo num líquido amarelo e colocava no fogo e mexia como se estivesse abençoando toda aquela magia. Antes de comer, eu ficava imaginando tudo aquilo e como minha mãe era poderosa. Aprendi com ela então que o milagre já existe, só precisamos arregaçar as mangas e fazer com que eles se manifestem.

Foi assim que minha mãe me passou valores universais: através de suas ações e dessa conexão com a natureza que ela mantinha. Celebrar seus noventa anos foi como reviver tudo que eu aprendi.

E agora o Dia das Mães chega e lá me pego pensando novamente em todas as mães. Nas mães das mães e nas mães das mães das mães.

No ano passado também escrevi mais ou menos sobre isso e repito aqui o que disse por achar de extrema importância o nosso respeito a essas mulheres, que nos deram à vida e os nossos maridos e os nossos amigos. Mulheres vindas de mulheres que preparam os alimentos que alimentam, que são guardiãs dos valores e da amorosidade. E se nossas mães, em especial, não fizeram isso, no mínimo, no mínimo nos deram a vida e isso é tudo que precisamos para ter uma gratidão eterna.

No Yoga há vários asanas (posturas) onde baixamos a cabeça simbolizando que eu reconheço a minha existência e a importância fundamental que minha mãe e meu pai têm nessa minha existência. Isso, temos que honrar! Honrar o que ficou atrás para eu poder seguir com a cabeça erguida e com humildade. Eu plantei o meu corpo. Meu corpo é perfeito e se torna mais perfeito ainda se eu honro o que fui. Só vou para frente quando honro o que vem antes de mim.

Deixo então aqui, mais uma vez, minha profunda gratidão e reconhecimento a todas as mulheres (Irene, Silvana, Francisca, Roza... e a Carminha, outra mulher que trouxe a essa vida o Edmilson que é meu companheiro de jornada, mães de mães que me possibilitaram estar aqui e agora com toda a vida e experiências vividas por todas elas presentes em mim. Portanto, somos todas ligadas como somos ligadas ao planeta, ao universo, ao mar, à floresta, à terra, ao fogo e ao ar e ao cural do quintal de minha mãe. Tudo isso vive dentro de mim.

Feliz Dias das Mães a todas as mulheres com ou sem filhos. Que nossos frutos representem a amorosidade para com todos os seres vivos. 

Minha mãe e suas irmãs

7 comentários:

  1. Sempre nos inspirando com suas inspirações.
    Grande homenagem. Valeu Zezé...bjs

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  2. Obrigada Vó Irene, minha mãe Nair e todas as mães da nossa família e aquelas que não são mães mas que agem como se fossem, educando os sobrinhos também. Parabéns!

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  3. Sandra Franzolin8 de maio de 2012 15:22

    Oi Zezé!
    Adorei o que você escreveu ...obrigada! Obrigada por proporcionar-me, em meio a correria e aos problemas do meu dia-a-dia, momentos como este, onde tenho a oportunidade de parar por alguns minutos para saborear e refletir sobre as suas palavras.Abrços,
    Sandra

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  4. Muito lindo Zezé, que benção poder dizer tudo misto a sua mãe que completa 90 anos. Fiquei emocionada. Parabéns a ela e todas as mães, inclusive a minha que já está em outra esfera.
    beijos

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  5. Lindo, lindo, parabéns para sua mãezona e para a mulher maravilhosa que vc tbém é. Fiquei emocionada ao ver o nome da minha mãe nos seus
    escritos. Quanto ao filme é delicioso, a massagem relaxante no bebê transmite tanta paz que dá para sentir junto com ele.
    Beijos
    Rudi

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  6. Zezé,
    Que doce sua homenagem, a sua querida MÃE, e de certa forma a todas as mulheres, as que tiveram filhos, e as outras como nós duas, escolhidas pelas escolhas que fizemos, pelo destino que estamos cumprindo, prá plantar outras sementes nos corações, nas vidas de tantas pessoas que cruzam nossos caminhos..."o milagre já existe, só precisamos arregaçar as mangas e fazer com que eles se manifestem"..beijo grande e mais uma vez obrigada por suas reflexões!
    Adriana-Yoga

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