
Já passei meu
aniversário em muitos lugares diferentes. Na praia de Mucogê, em Trancoso na
Bahia com minha amiga Meire; em casa com família; com amigos; com a notícia da
morte de Elis Regina; sozinha; em Londres com a querida Christine, em cuja casa
eu morei por um ano; em bares com amigos; só com o Ed no nosso terracinho
encantado; trabalhando num dia normal; nas montanhas; no hospital com meu pai;
na comunidade de Nazaré com bolos deliciosos da Paula e oferendas dos hóspedes
em minha porta.
Mas é nessa época que
aproveito também para me desfazer de coisas que não preciso mais, limpando e
desobstruindo gavetas externas e internas. E celebro cada detalhe que vai
aparecendo neste dia como um presente.
Também nas agendas fui
recordando momentos importantes anotados ali, quando conheci o Ed, quando
compramos nosso apartamento, idas a hospitais, nossas viagens inesquecíveis,
aniversários de amigos (antes de facebook), quando dei aula em uma firma ou
outra, eleição de presidente e prefeito, primeiro dia de escola de meu
sobrinho, mais alunos, menos alunos, encontros com amigos em happy hour,
menopausa, shows em São Paulo, morte de meu pai, aulas de Yoga, cursos e mais
cursos, pintura de apartamento, visitas a Nazaré e amigos que moram por perto,
aposentadoria, aniversário de 90 anos de minha mãe, sobrinha neta que nasceu...
e por aí vai. E por aí vai continuar. As experiências são muitas e todas elas
causam um grande impacto interno.
Essas mesmas agendas e o
“desfazer de anos” me fizeram girar pelo tempo tão relativo que é passado e
está presente. Qual seria a sua idade se
você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio)
Tempo Rei! Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai as velhas formas do viver.
Ensinai-me oh Pai, o que
eu ainda não sei
(Gilberto Gil)